De Porto Real
Os 25 anos do Polo Automotivo Stellantis de Porto Real, RJ, ficarão marcados também como o início de uma nova etapa do complexo industrial surgido como a única planta brasileira da então PSA Peugeot Citroën, inaugurada no começo de 2001 e que já fabricou mais de 2 milhões de automóveis e 2,4 milhões de motores desde então.
Na sexta-feira, 3, a montadora oficializou o começo da produção seriada do Avenger, terceiro modelo nacional da Jeep e o primeiro a adotar o motor 1.0 turbo, o T200 flex, com sistema híbrido leve de 12 V, já presente em outros automóveis Fiat e Peugeot oferecidos no mercado brasileiro.
A produção do Avenger integra o ciclo de R$ 3 bilhões em investimentos previstos para Porto Real até 2030 e que envolveu ainda a modernização das instalações, a adoção da plataforma CMP, adotada nos três veículos da linha Citroën fabricada na unidade.
O primeiro Jeep fluminense exige também a adoção do segundo turno de trabalho, movimento que resultará na contratação de 800 empregados diretos e, segundo a montadora, até outros 450 postos de trabalho nos fornecedores instalados no entorno do complexo.
Na prática, a Stellantis está “reiniciando” Porto Real como fábrica multimarca, depois que a unidade teve seu papel e relevância diminuídos com a transferência da linha Peugeot para a Argentina no fim de 2023.
Glauber Fullana, vice-presidente de Manufatura da Stellantis na América do Sul, confirmou a chegada de oito novas empresas de componentes. No total, Porto Real tem na vizinhança e dentro do site 13 parceiros. “Queremos aumentar as compras locais, o que reduz custos logísticos”, diz o executivo, sem revelar quanto a empresa compra na região.
O Avenger, naturalmente, compartilha, além dos processos produtivos, vários componentes com os Citroën Basalt, Aircross e C3 que saem da mesma linhade montagem. Alguns perceptíveis, como partes do acabamento interno e outros mais discretos, como discos de freio que ostentam logotipo não só da Citroën como também da Peugeot.

Questionada por AutoIndústria durante entrevista realizada na fábrica na própria sexta-feira, a diretoria da Stellantis preferiu não informar qualquer índice que ilustre o nível de comunização de componentes entre o novo produto Jeep e os modelos Citroën locais.
Bruno Kamei, vice-presidente de Marcas e Marketing para a América do Sul, entretanto, antecipou que o SUV será fabricado em quatro versões, todas com o mesmo motor e sistema híbrido leve de 12 volts, que apenas auxilia o motor a combustão.
A opção pela eletrificação mais barata disponível no portfólio de tecnologias do programa Bio-Hybrid da Stellantis e lançada há quase dois anos na linha Fiat, tem o claro propósito de custos menores que permitam oferecer o Avenger com preços competitivos no segmento de maior volume de vendas do mercado brasileiro e um dos que mais crescem.
O Avenger disputará clientes que hoje podem optar por modelos da própria Fiat, como Pulse, além do Volkswagen Tera, Renault Kardian e Chevrolet Sonic, dentreo utros.
Hugo Domingues, diretor da marca Jeep na América do Sul, reforça que, com o Avenger, a Jeep da continuidade à ampliação da eletrificação da linha iniciada com os modelos Renegade e Commander fabricados em Goiana, PE, com versões MHEV de 48 V e motor 1.3.
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Segundo o executivo, o modelo nacional foi desenvolvido especificamente para atender às características do mercado brasileiro. Na Europa, foi lançado em 2022, inclusive com versão totalmente elétrica, e já passou por discreta atualização estética no começo deste ano, a mesma presente no modelo fabricado em Porto Real.
Domingues não antecipou conteúdos, preços nem quando o Avenger estará nas concessionárias, o que deve ocorrer somente em agosto.
Revelou apenas a oferta de assistente de voz baseado no ChatGPT e disse que o pacote de recursos de segurança, conectividade e conveniência “posicionará o Avenger entre os SUVs compactos com maior conteúdo tecnológico da categoria”. A conferir.
Foto: AutoIndústria/Divulgação
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