Por Alzira Rodrigues

As indefinições em torno do Rota 2030 estão incomodando a Mercedes-Benz do Brasil, que só investiu na construção de uma fábrica de automóveis no luxo por causa do Inovar-Auto e por acreditar que o programa teria alguma continuidade a partir de 2018.

O presidente da montadora no Brasil, Philipp Schiemer, diz ser contra restrições aos carros importados, mas avalia ser necessário manter incentivos à produção no segmento premium para que os veículos aqui produzidos tenham competitividade: “Como o mercado caiu ao invés de crescer, o segmento opera com volume muito baixo e os carros nacionais vão ficar mais caros que os importados”.

Ele não quis entrar em detalhes sobre os incentivos necessários, mas deu um exemplo: “Poderíamos ter redução do Imposto de Importação sobre peças vindas de fora, como acontece em outros países, como na Índia e na Rússia”. Evitando falar em possível fechamento da fábrica, Schiemer limitou-se a dizer “que será difícil produzir carros de luxo sem qualquer incentivo”.

A Mercedes-Benz inaugurou a fábrica de Iracemápolis, SP, em março do ano passado, a partir de um investimento de R$ 700 milhões, e produzirá lá este ano cerca de 7 mil unidades. O Inovar-Auto, que termina no próximo dia 31, previa incentivos para a produção local, além de penalizar os carros importados com o sistema de cota.

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No Rota 2030, a previsão era acabar com as cotas e os 30 pontos adicionais de IPI para os veículos que as ultrapassassem. Mas os incentivos à produção local seriam mantidos. Agora se cogita até de não haver mais o Rota 2030. O Ministério da Fazenda alega que incentivos geram perda de arrecadação e o governo, para que suas contas fechem, tem de arrecadar mais e não menos do que hoje.

Questionado sobre o risco de não ter mais o Rota 2030, Schiemer foi taxativo: “Tem que sair. Ou o setor ficará sem proteção”, comentou, destacando que todos os mercados têm regras. Ele ainda acredita que haverá um Medida Provisória com o esboço do programa, mesma posição da Anfavea.

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Com relação ao argumento do Ministério da Fazenda de que o Rota 2030 provocaria perda de arrecadação, Schiemer lembra que a produção local gera impostos diversos: “Nossa ida para Iracemápolis transformou a cidade. Nós pagamos IPTU, dentre outros tributos, desenvolvemos fornecedores e nossos 700 trabalhadores pagam, por exemplo, Imposto de Renda”.

O executivo insistiu no fato de a empresa só ter investido na produção local de automóveis por causa do Inovar-Auto. “Quando foi aprovado, o combinado era haver uma continuidade do programa a partir do seu término em 31 de dezembro deste ano. Houve um acerto, uma parceria, e nós fizemos a nossa parte. Não é justo agora não haver novo programa”.


Foto: Divulgação/Mercedes-Benz