É isso mesmo, dos mais de 10 milhões de habitantes da cidade de São Paulo, 5 milhões dependem da consciência ecológica de outros 7 mil, que estão distantes cerca de 150 km de distância da capital. Essas 7 mil pessoas habitam a pequena e deliciosa Santo Antônio do Pinhal (SP), incrustada em plena Mantiqueira (poucos quilômetros antes de Campos do Jordão e muito sossegada, mesmo na temporada da inverno).

Para sorte dos paulistanos, Santo Antônio é habitada por pessoas que estão engajadas em um trabalho de conservação das nascentes que lá existem. Tudo dentro do projeto Águas da Mantiqueira, resultado da parceria entre a Fundação Toyota e a Fundepag (Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio), com total apoio da prefeitura da cidade. As águas que nascem nas suas minas e fontes ajudam a abastecer grandes reservatórios que servem a capital.

O trabalho, que visa fazer um cálculo hidrológico da área do município, é uma pesquisa com a participação de trinta profissionais de diversas áreas, no campo da agricultura, planejamento das cidades, conservação de florestas e águas e também saúde, educação e segurança.

São oito linhas de pesquisas a serem seguidas: Conservação da Biodiversidade, Hidrologia Florestal & Gestão de Recursos Hídricos, Urbanismo, Educação, Saúde, Agricultura Sustentável, Gestão Pública, História Econômica e Ambiental.

Diariamente esses profissionais, entre os quais membros do Instituto Biológico de São Paulo e Universidade de Taubaté, percorrem o município para verificar as condições de suas estradas (maioria de terra), procura de solo para agricultura (busca e manutenção de terras férteis), verificação da situação das escolas, levantamento dos animais que lá vivem e também manutenção das águas. Todo esse trabalho visa fornecer à prefeitura de Santo Antônio dos Pinhais informações para o desenvolvimento do trabalho diário do município e a elaboração do seu Plano Diretor.

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O levantamento em Santo Antônio será concluído em julho, quando então surgirá o que fazer com o cálculo da vazão de água, sempre centrado nas Soluções Baseadas na Natureza (SMN), conforme prega a ONU no seu trabalho de preservação,

Gonçalves e Sapucaí Mirim – O projeto tem Santo Antônio do Pinhal como seu embrião, piloto. Ele deverá ser ampliado em direção ao Sul de Minas, onde estão Sapucaí Mirim e Gonçalves. Também na serra da Mantiqueira. Ela começa na região bragantina e atravessa o Vale do Paraíba, passando por Santo Antônio e chegando ao Sul de Minas. Em estudo publicado na revista Science foi eleita o 8º local de área protegida mais insubstituível do planeta. É a maior província aquífera do Mundo de água mineral.

Este estudo é da União Internacional para Conservação ( International Union for Conservation of Nature). Nele foram analisados 78 lugares, englobando 137 áreas protegidas em 34 países. Juntas, protegem a maioria das populações de 627 espécies de animais, incluindo 304 espécies ameaçadas de extinção em todo o mundo.

O Parque Nacional Kakadu (Austrália) está no primeiro lugar. O Brasil também aparece no ranking com Alto Rio Negro (6º lugar), Serra do Mar (7º) e o Vale do Javari (9º).

Sabem o rio da Prata, na Argentina?

Pois é, ele também depende do trabalho da população e do sucesso do Projeto Águas da Mantiqueira, da Fundação Toyota e a Fundepag. Seu nascedouro é lá em Santo Antônio do Pinhal, conforme a foto mostra a vocês.

Vejam só a importância da nossa Serra da Mantiqueira.

chicolelis – chicolelis@gmail.com  é jornalista com passagens pelos jornais A Tribuna (Santos), O Globo e Diário do Comércio. Foi assessor de Imprensa na Ford, Goodyear e, durante 18 anos, gerenciou o Departamento de Imprensa da General Motors do Brasil