A indústria de autopeças reagiu em junho, com alta de 47,4% no faturamento líquido em relação a maio. Mas no acumulado do ano o setor ainda enfrenta queda expressiva, de 38,9%, reflexo das perdas de receita entre abril e maio por causa da paralisação das montadoras e de alguns fornecedores em função da pandemia da Covid-19.

Segundo a pesquisa conjuntural divulgada no site do Sindipeças este mês, “em junho houve um direcionamento que parece expressar o novo normal da indústria de autopeças”. Diante do balanço do semestre, a entidade reviu suas projeções para o ano e estima agora uma queda de 30% no faturamento em relação a 2019.

Os negócios das autopeças com as montadoras recuaram 46% nos primeiros seis meses, índice que foi de 43,7% no caso das vendas externas e de 16,4% no mercado de reposição. A ociosidade da indústria ficou em 50% em junho, “distante da média histórica próxima de 30%, o que representa um óbice adicional aos investimentos para adaptação, modernização e expansão dos fabricantes de autopeças”, destaca a entidade.

Quanto aos empregos, houve diminuição de 9% dos postos de trabalho em relação ao primeiro semestre de 2019, “Certamente, as alternativas voltadas à redução da jornada e dos salários, assim como a suspensão dos
contratos de trabalho, impediram que o mercado se deteriorasse ainda mais”, avalia o Sindipeças, que não informa números absolutos sobre a redução do quadro de mão de obra no setor.

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Em junho, com a retomada da maioria das plantas automotivas, as autopeças ampliaram em 74,7% suas vendas para as montadoras sobre maio. “A maior fluidez no acesso ao crédito, o aumento no volume de aquisições de veículos novos e usados, as campanhas de vendas feitas por montadoras e redes credenciadas e os lançamentos de veículos de passeio e utilitários organizam a compreensão sobre a retomada do setor”, informa o Sindipeças.

Os negócios para reposição também foram beneficiados pelo movimento geral de recuperação no sexto mês do ano e avançaram 40,9% em relação a maio. As vendas intrassetoriais, estimuladas pelo movimento de reabertura das unidades automotivas, subiram 43,8% em junho e, mesmo no caso das exportações, registrou-se aumento de 16,2% dos embarques, graças ao relaxamento social e à volta das atividades da indústria e do comércio em várias regiões do mundo.


Foto: Divulgação/Meritor