Mercado

Sem produção local, Ford e Mercedes-Benz desabam no bimestre

Enquanto a marca alemã vendeu metade do que no ano passado e norte-americana, 60% menos

A decisão de encerrar a produção local de automóveis fez um estrago no desempenho comercial de Ford e Mercedes-Benz no Brasil em 2021. Encerrado o primeiro bimestre, a norte-americana já aparece apenas como a 9ª marca mais vendida, com somente 11,9 mil unidades licenciadas, enquanto a alemã ficou na 4ª posição entre as marcas ditas premium, com 806 emplacamentos e bem abaixo das líderes.

A abrupta queda da Ford, que encerrou 2020 na 5ª posição, era mais do que esperada, já que perto de 85% de suas vendas   dependiam dos nacionais  Ka, Ka Sedan e EcoSport. Com a proximidade do fim da fabricação nacional, revelada em meados de janeiro, a própria Ford tratou de desacelerar antecipadamente a linha de montagem de Camaçari, BA, para reduzir os estoques na rede de concessionárias.

Se no primeiro bimestre de 2020 a marca vendera 29,5 mil automóveis e comerciais leves, nos dois meses iniciais de 2021 acumulou menos da metade, 11,9 mil. Perto de 3,7 mil deles no mês passado: sendo 1,5 mil Ka, pouco mais de 500 unidades do Ka Sedan e 280 do EcoSport.

Em março e abril esses números serão ainda menores e, certamente, antes do encerramento do primeiro semestre a Ford terá se tornado uma mera importadora. Negociará somente a picape Ranger, fabricada na Argentina, e os SUVs Territory, Edge e o anunciado Bronco, além do esportivo Mustang. Com exceção da Ranger, produtos dedicados a segmentos de vendas bastante restritas, nichos.

A Mercedes-Benz dependia muito menos da produção brasileira do que a Ford. Da agora fechada fábrica de Iracemápolis, SP, até dezembro saía  o GLA. Mesmo como segundo modelo mais vendido da marca, o crossover lançado em 2016 somou 1,2 mil unidades licenciadas em 2020, 18% dos mais de 6,8 mil automóveis de passeio negociados pela montadora.

A Mercedes-Benz alcançou tímidos 806 licenciamentos no bimestre, com somente dois modelos, o sedã Classe C e o SUV GLB, respondendo por quase 80% do total negociado. O número é 41% menor para um mercado total que encolheu menos da metade no período, 19%.

A comparação com o desempenho da líder BMW explicita o desafio que será para a Mercedes-Benz voltar ao topo do segmento ocupado por ela pela última vez no biênio 2017-2018. No bimestre, a concorrente superou 1,6 mil emplacamentos, queda de 4% com relação a igual período do ano passado e muito abaixo da média.

E vender somente a metade do que a principal concorrente já não é novidade. Em 2020, a relação foi a mesma. Para cada Mercedes-Benz vendido, foram negociados dois BMW no Brasil: 6,8 mil contra 12,4 mil.

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E outro fator contrário: enquanto a forte apreciação de dólar e euro tem reduzido a margem de negociação dos revendedores para seduzir os clientes — mesmo no caso de automóveis de faixa de preços elevadas — a BMW, única do segmento a manter fábrica aqui, acaba de anunciar o aumento de 10% da produção em Araquari, SC.

O ritmo mais acelerado da linha beneficiará os modelos X1 e Série 3, o carro da marca mais vendido e concorrente direto do Classe C. Juntos, eles representaram 65% das vendas da BMW no ano passado. Um reforço e tanto!


Foto: Divulgação

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Publicado por
George Guimarães

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