Os licenciamentos de veículos elétricos no Brasil ultrapassaram 69 mil unidades nos cinco primeiros meses de 2026, mais do que o triplo do que em igual período do ano passado.
Esse salto tem como base, especialmente, o flagrante crescimento da oferta de modelos ao redor e acima dos R$ 200 mil, mas também, em boa medida, de produtos bem mais em conta.
Não se trata mais de estudar as potencialidades de vendas dos automóveis movidos exclusivamente a bateria diante das dezenas de opções flex e híbridas que os consumidores têm nas lojas e sites com preços inferiores a R$ 160 mil, por exemplo.
Mesmo com poucos modelos ainda, os ditos elétricos de entrada já fazem estragos visíveis nos negócios com hatches pequenos a combustão.
O segundo maior segmento do mercado interno, responsável por um quarto dos licenciamentos até maio, teve nesse período 216,5 mil unidades entregues aos clientes finais, 22,5% a mais do que nos primeiros cinco meses de 2025.
Acontece que, aponta ranking da Fenabrave, dentre os doze modelos mais emplacados no segmento, 53,3 mil se deveram a quatro elétricos a bateria, exatos 25% do total. Um ano antes, com três modelos, essa participação era de somente 9,8%.
Na verdade, com exceção do Geely Ex2, um produto da Renault Geely, não há ainda representantes das montadoras mais veteranas do País, que, claramente, estão perdendo tempo e vendas para elétricos com preços sugeridos acima de R$ 120 mil.

Líder Dolphin Mini: hatch pequeno elétrico mais barato do País.
Nesse sentido, o quadro tende a se agravar para elas, pois mais elétricos compactos, como o Aion UT, começam a chegar a partir de agora e nos próximos meses.
Pior: impulsionados também por amplo universo de consumidores que poderão pagar bem menos por meio de programas de incentivos como o Move Brasil Táxis e Aplicativos, anunciado em maio, mas que somente a partir desta sexta-feira, 19, entrará em operação.
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Uma pergunta que cabe é se as marcas líderes do mercado brasileiro — Fiat, Volkswagen e General Motors —, que têm a maior parte de seus licenciamentos concentrada em automóveis de R$ 150 mil para baixo, não estão preocupadas e, se sim, para lá de atrasadas na eletrificação de suas alternativas mais baratas?
Os movimentos até aqui revelados sugerem que, no curtíssimo prazo, estão, sim, fora dessa disputa específica.
Pelo menos até 2027, Volkswagen e GM se dedicarão a elétricos de segmentos superiores, respectivamente, com o importado ID.4 ainda este ano, e o Captiva EV, cuja montagem foi terceirizada para a PACE, Planta Automotiva do Ceará, parceria iniciada com o SUV elétrico Spark, um produto de nicho.
A Fiat nem isso. O que gera estranheza por ser historicamente reconhecida pela agilidade para responder e muitas vezes antecipar as demandas e tendências do mercado brasileiro, o maior da marca em todo o mundo.
Mais um no páreo
Mas não ter um elétrico de sua marca mais vendida no Brasil para “pronta-entrega” não significa, necessariamente, que a Stellantis está desatenta.
Há um mês, em participação no evento de anúncio do plano estratégico global da empresa para os próximos cinco anos, Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul, anunciou que será atribuição da operação a distribuição de produtos da parceira global chinesa Dongfeng em países andinos.
Há uma semana, entretanto, o executivo admitiu ao AutoIndústria que o planejamento contempla também o Brasil e até estudos para montagem local, em uma das fábricas da própria Stellantis, solução adotada para os SUVs da Leapmotor em Goiana, PE — já sobrecarregada com modelos Fiat, Jeep e RAM —, o que reduz custos e encurta prazos.
“Vamos ampliar portfólio no Brasil a partir de parcerias”, disse Zola, que acrescentou que a engenharia sul-americana já está integrada aos trabalhos de desenvolvimento de produtos globais da Dongfeng que têm potencial para os mercados da região.
No Salão do Automóvel de Pequim, em abril, vazaram informações de que o compacto Box e o SUV médio Vigo estariam de malas prontas para aportar aqui, o primeiro ainda este ano.

Coincidência ou não, o Box, que internacionalmente adota a marca DFM, tem versões elétricas e tamanho similar ao BYD Dolphin e Geely EX2.
Pelo prazo aventado no salão chinês e as já muitas imagens do modelo em testes nas ruas brasileiras, deve ser o hatch a bateria sacado do colete da Stellantis-Dongfeng em pouquíssimo tempo, já no próximo semestre, para entrar na briga do segmento que, proporcionalmente, mais crescerá em vendas nos próximos meses.
E montado aqui. Onde? Onde houver mais espaço sobrando, o que não é difícil deduzir no caso da Stellantis.
Foto: Divulgação/IA
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