Mesmo registrando uma forte recuperação frente aos resultados obtidos no ano passado, os fabricantes de implementos rodoviários estão temerosos com o encaminhamento dos negócios no curto prazo. O motivo: aumento desenfreados dos preços dos insumos, em particular do aço, que representa cerca de 70% das matériais-primas utilizadas em quase todos os produtos do setor.

Pesquisa realizada pela Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, indica que, de janeiro de 2020 a março de 2021, o preço do aço subiu, em média, de 79% e até 126,8% no caso dos laminados planos de aço inoxidável. “No início de maio, as siderúrgicas anunciaram aumentos que variaram de 10% a 18% e mais 15% em junho, o quinto reajuste do ano”, enfatiza a Anfir, associação dos fabricantes de implementos rodoviários.

“Estamos em plena recuperação da economia e não é oportuno aplicar reajuste em insumos tão essenciais como o aço”, reforça José Carlos Spricigo, presidente da entidade. Segundo o dirigente, as empresas estão absorvendo parte dos aumentos para evitar perda de fôlego das vendas. “Não é possivel repassar ao cliente e isso compromete a situação da indústria”, acrescenta.

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No acumulado até maio, as vendas da indústria de implementos cresceram de 67,6% sobre igual período do ano passado. Foram emplacados 62,5 mil equipamentos ante 37,3 mil em 2020. A linha de pesados, os reboques e semirreboques destinados a segmentos como agronegócio, construção civil e infra-estrutura, responderam pela maioria dos negócios, com 36,8 mil licenciamentos, avanço de 83%.

Produtos leves, com mais aplicações na distribuição urbana e históricamente mais vendidos, continuam com recuperação abaixo da média do mercado. Somaram 25,8 mil emplacamentos, ainda assim um avanço significativo de quase 50% na comparação anual.“É resultado do momento atual de desequilíbrio da economia interna”.


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