As incertezas ainda persistem e a normalização do fornecimento de componentes, principalmente semicondutores, só é esperada para o segundo semestre deste ano. Mas a Fenabrave acredita na continuidade do crescimento do mercado automotivo brasileiro, projetando expansão da ordem de 4,6% em 2022 na venda de veículos leves e pesados, índice até um pouco superior ao de 2021, que foi de 2,98%.

Ao divulgar as projeções para 2022, o recém-eleito presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior, admitiu que o ano de 2021 foi complexo e que ainda há dúvidas quanto ao comportamente do mercado nos proximos meses: “Poderemos até revisar as projeções no início do segundo trimestre. Mas, a princípio, acreditamos que há espaço para o mercado seguir crescendo”.

Ante total de 2.119.554 emplacamentos registrados no ano passado, a expectativa é chegar a 2.216.152 este ano. O menor índice de alta projetado é para o segmento de automóveis, da ordem de 2,9% – de 1.557.957 para 1.603.547 unidades. Vale lembrar que esse segmento teve queda em 2021, da ordem de 3,56%.

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Já a demanda por comerciais, que em 2021 foi 24,2% superior à do ano anterior, deve crescer 9,7%, de 416.474 para 456.825. No caso dos caminhões, que teve a maior alta do ano passado, de 42,8%, o crescimento esperado é de 7,3%, de 127.357 para 136.600. A estimativa para o segmento de ônibus é de expansão de 8%, de 17.766 para 19.180.

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Diante da expectativa de não haver crescimento do PIB este ano, o presidente da Fenabrave foi questionado sobre quais fatores justificariam aumento das vendas no mercado automotivo. Ele destacou, dentre outros, a demanda reprimida de 2021, decorrente da falta de componentes, principalmente os eletrônicos.

As filas de espera diminuíram nos últimos meses e já há modelos para pronta entrega nas concessionárias, o que pode sinalizar uma desaceleração da demanda nos próximos meses. Mas essa avaliação, segundo Andreta, só poderá ser feita daqui a duas semanas, quando as montadoras já terão retomado produção após período de férias coletivas.

“A boa notícia neste início de ano é que, em dezembro, a indústria conseguiu finalizar muitos veículos que estavam à espera de componentes”, comentou o empresário. Ele informou que a aprovação de crédito para veículos leves está na faixa de 68%, mas destacou que verifica-se um ligeiro aumento da inadimplência. “Além disso, as elevações nas taxas de juros são pontos de atenção. As instituições financeiras têm se mostrado mais seletivas na liberação de crédito”, ponderou.

O quadro, portanto, ainda é incerto e, assim como em 2021, está difícil definir o tamanho da demanda no mercado automotivo, que continua sofrendo com a falta de alguns produtos. No caso dos caminhões, há pedidos feitos no ano passado que têm entrega programada só para meados deste ano. Mas como disse o presidente da Fenabrave, projeções são projeções e, portanto, podem ser revistas. “Só torcemos para ser para cima”, conclui.


Foto: Diovulgação/Fenabrace