Após o término da cerimônia de inauguração da nova sede da Anfavea no edifício Berrini One, na capital paulista, quando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu publicamente pela retomada do Salão do Automóvel, o presidente da entidade que representa as montadoras, Márcio de Lima Leite, disse haver consenso no setor quando à volta do evento.

“Para um país que quer exportar, é fundamental retomar o Salão do Automóvel”, comentou o executivo, reforçando o discurso de Lula e garantindo ser intenção promover o evento ainda neste ano ou, no máximo, no início de 2025. “Por questões logísticas pode ser que ocorra no ano que vem. Mas vamos fazer o salão”, garantiu o presidente da Anfavea.

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Antes da cerimônia de inauguração no final da tarde de sexta-feira, 12, o presidente Lula e os ministros do MDIC, Geraldo Alckmin, das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e da Fazenda, Fernando Haddad, reuniram-se com pelo menos uma dezena de CEOs das principais montadoras instaladas no Brasil.

Além de falarem sobre os desafios atuais, dentre os quais a necessidade de o setor voltar a crescer internamente e ampliar exportações, a reunião também foi palco de comemoração dos R$ 125 bilhões de investimentos no Brasil anunciados pelas montadoras a partir de 2021, sendo a maior parte em decorrência do Mover, o novo programa automotivo aprovado no atual governo.

Seis anos sem Salão do Automóvel

No âmbito da discussão sobre a volta do Salão do Automóvel, importante lembrar que a última edição ocorreu no final de 2018. A primeira foi em 1960, no Pavilhão de Exposições do Parque Ibirapuera, e a segunda já no ano seguinte. Desde então foi realizado a cada dois ou três anos no máximo, ininterruptamente.

Justamente pela falta de consenso que hoje o presidente da Anfavea diz existir, a edição de 2020 já estava comprometida mesmo antes da eclosão da Covid-19 no Brasil em março daquele ano. Desde o final de 2019 algumas montadoras vinham anunciando intenção de não participar por discordar dos custos e do formato do evento que vinha acontecendo no São Paulo Expo, na Rodovia dos Imigrantes.

A ideia, segundo Lima Leite, é fazer um salão menos pirotécnico, no qual os produtos sejam o foco principal, assim como as vendas para o consumidor final, o que envolverá parceria da Anfavea com a Fenabrave, a federação dos concessionários, para tornar possível seu novo formato.

“Seria uma espécie de Agrishow ou mesmo da Fenatran, com estímulos para que os negócios aconteçam durante a feira. Ao mesmo tempo mostraríamos os avanços tecnológicos do setor. Tem consumidor que ainda não tem claro o que é um modelo híbrido ou o que é plug-in, por exemplo”.

Além da volta do Salão do Automóvel, também foi tema dos discursos da cerimônia de inauguração da nova sede da Anfavea o investimento de R$ 125 bilhões anunciado pelo setor automotivo no Brasil até o final desta década e a importância de as montadoras locais retomarem patamares de vendas do início da década passada e ampliarem exportações.

O próprio presidente Lula abordou esse último tema ao pedir a volta do salão, dizendo que “quem quer vender, precisa oferecer”, ou seja, a indústria brasileira precisa mostrar o que tem.

Lima Leite, por sua vez, reforçou a necessidade de o Brasil ter mais acordos externos. “Temos menos de 10, enquanto o México tem 43”, lembrou. “Os produtos made in Brazil têm qualidade, mas ainda trazemos o custo tributário que reduz nossa competitividade”.

Ainda sobre o Salão do Automóvel, o presidente da Anfavea disse que a entidade não descarta retomar o uso do Pavilhão de Exposições do Anhembi, que está para ser reinaugurado: “Temos uma história importante lá, é uma das hipóteses que estamos avaliando”.

Com relação à necessidade de o setor automotivo brasileiro voltar a crescer internamente, Lima Leite comentou ser essa a intenção das montadoras aqui instaladas. “Em dois anos vamos retomar o patamar de 3 milhões de véiculos/ano”, previu.


Foto: Divulgação/Agência Brasil

Alzira Rodrigues
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