A última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que aumentou os juros em 1 ponto porcentual na quarta-feira, 11, elevando a Selic para 12,25%, levou os executivos da Anfavea e das montadoras a entrarem noite adentro pra redefinir projeções para 2025.
Ao menos foi o que revelou o presidente da entidade, Márcio de Lima Leite, ao deixar clara a frustração de não ter apresentado a estimativa de um crescimento maior para o mercado interno, da ordem de 3 milhões de veículos.
“Queríamos anunciar hoje os 3 milhões. Mas com a alta da Selic de 1 ponto porcentual e a sinalização de mais 1 ponto e depois mais 1 ponto as coisas mudaram”, comentou o executivo.
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Ele explicou que se a taxa para 2025 estivesse no mesmo patamar previsto pelo mercado no início de 2024 – ou seja, 9,25% -, o mercado potencial de emplamentos seria maior em 200 mil unidades em relação aos 2,8 milhões agora projetados pela Anfavea.
Tal volume representará expansão de apenas 5,6% sobre os 2,65 milhões que devem ser registrados em 2024, marcado por crescimento de 15% sobre 2023. Segundo Lima Leita, a entidade vinha fazendo contato com as montadoras nos últimos dias para definir os números para 2025:
“Tinha montadora prevendo alta de 8% para o mercado interno, embora para a imprensa estivesse divulgando índice menor, de 4%. Contatos feitos após a reunião do Copom mostraram que no geral as projeções foram revistas para baixo, com números mais próximos aos anunciados para os jornalistas do que os que vinham sendo considerados internamente”.
O crescimento das vendas internas este ano é maior desde 2007. “Além disso, o Brasil teve maior crescimento entre os 10 principais mercados”, informou Lima Leite, mostrando quadro das expansões no ranking do Top 10 mundial.
O ponto negativo é o aumento das importações e a queda nas exportações, que gera saldo comercial negativo. A Anfavea continua alertando para a enxurrada de carros chineses eletrificados que entram no Brasil, lembrando que há estoque de 70 mil unidades desses modelos.
A participação de 17,4% dos importados nos emplacamentos é a maior dos últimos 10 anos, sendo que 1/3 foi trazido por empresas que não produzem no Mercosul, informa a Anfavea:
“Esse desequilíbrio na balança comercial, por conta de baixo Imposto de Importação para elétricos e híbridos, impediu que fabricantes de veículos aqui instalados obtivessem uma recuperação ainda mais robusta no mercado interno”, avalia Lima Leite.
Com relação ao cenário econômico para 2025, a Anfavea projeta PIB de 2%, inflação de 4,5%, taxa Selic de 14,25% e câmbio na faixa de R$ 5,6.
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