Declarações feitas no início da semana passada por ocasião de evento promovido pela BYD em Camaçari, BA, tiveram ampla repercussão na coletiva de imprensa da Anfavea nesta segunda-feira, 7.

Em pauta questões como o pleito de redução da alíquota de importação de veículos desmontados, o comentário por parte de dirigente da marca chinesa quanto à ineficiência da “velha indústria” e futuras associações à entidade que representa as montadoras aqui instaladas.

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Igor Calvet, presidente da Anfavea, fez questão de deixar clara posição da entidade contrária ao pleito da BYD de redução do Imposto de Importação para unidades SKD (desmontadas). As alíquotas são de 28% para os híbridos e 25% para os 100% elétricos e a marca chinesa reivindica índice de apenas 10% para ambos.

“O governo federal é competente o suficiente para entender que as forças desindustrializantes não devem prevalecer. Reduzir alíquota para importação de veículos desmontados é perpetuar um movimento de baixa sofisticação tecnológica e baixo nível de emprego. Por isso somos contra esse pleito”, comentou o executivo.

Na sua avaliação, falar em SKD e CKD em altos volumes é ir contra a industrialização: “Se isso vier, muda o cenário dos investimentos atuais, estimados em R$ 130 bilhões. Pode sim inviabilizar investimentos anunciados, que foram negociados com as matrizes com base na proposta de industrialização do Mover”.

Na última terça-feira, 1, o vice-presidente sênior da BYD Brasil, Alexandre Baldy, informou que, a partir da montagem de SKD na fábrica de Camaçari, a empresa pretende parar de importar três modelos completos: Dolphin Mini, Song Pro e King. Mas isso apenas se houver a redução da alíquota para tais unidades.

Além disso, Baldy também cutucou as montadoras aqui instaladas, dizendo que “a velha indústria não está inquieta à toa” ao revelar que só o prédio de montagem final da fabricante chinesa é quase igual às instalações totais da antiga Ford no local.

Questionado sobre tal comentário, Calvet disse acreditar que o termo velha indústria não foi direcionado para a Anfavea e suas associadas, que investem continuamente em softwares, Indústria 4.0 e em vários outras inovações. “Se nova indústria for SKD, prefiro a velha”, rebateu.

O presidente da Anfavea também falou sobre comentário de Baldy quanto a possível filiação à entidade das montadoras locais. Ao responder a um jornalista nesse sentido, ele disse: “precisamos ser convidados”.

“A associação à Anfavea se dá por ocasião do início de produção no País”, frisou Calvet. “As empresas que quiserem se associar terão de conversar conosco. Não há na Anfavea qualquer discriminação por origem de capital. Vemos com bons olhos a chegada de novas marcas, caso da GWM e GAC, e queremos conversar com todas elas, mas tem de ser uma conversa mútua. O que queremos é produção local. Teremos o maior prazer de conversar com quem venha aqui produzir de verdade”.

Importante lembrar que, apesar do evento da semana passada, a BYD ainda não inaugurou oficialmente a fábrica baiana. Faltam licenças para que isso possa ocorrer e, por isso, a montagem por enquanto limita-se a poucos protótipos. Não há previsão de data para que as operações via SKD sejam efetivamente iniciadas.


Foto: Divulgação/Anfavea

Alzira Rodrigues
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