Indústria

Segmento de caminhões retrata cenário cada vez mais desafiador

Apesar da expectativa do PIB se manter em alta e do crescimento da produção agrícola, mercado não responde

O ambiente recessivo no segmento de caminhões se mostra cada vez mais acentuado. Desde o início do segundo trimestre a Anfavea já vinha demostrando preocupações com o comportamento hesitante do transportador de carga. Pelo balanço da associação até o fim de agosto, os resultados negativos se acentuam.

A variável da produção registra queda no acumulado pela primeira vez no ano. De janeiro a junho, as linhas montaram 88.525 caminhões, volume 1% menor na comparação com o mesmo período do ano passado.

“Pode parecer pouco, mas consolida trajetória de queda. Não fossem as exportações, as atividades teriam caído muito mais”, avaliou Igor Calvet, presidente da Anfavea, durante apresentação dos resultados do setor automotivo, na terça-feira, 9.

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Contexto apresentado pelo dirigente empacotam ainda mais preocupações para o segmento de caminhões. Embora o ritmo de crescimento do PIB tenha desacelerado, a projeção ainda se mantém em alta, pouco acima de 2%. Também o setor agropecuário se sustenta com safra recorde, que deve fechar ciclo com mais de 345 milhões de toneladas.

“O mercado não responde a sinais positivos da economia”, resume Calvet. “É reflexo claro das elevadas taxas de juros praticadas. O segmento de caminhões funciona com o crédito. Os juros matam o setor.”

O reflexo se mostra nos números e no emprego. Com a demanda reprimida, a produção de caminhões em agosto totalizou 10.096 unidades, baixas de 16,3% em relação a julho (12.058) e de 22,9% no confronto com o anotado há um ano (13.101). Também eliminou do chão das fábricas de pesados 148 vagas em agosto.

Como já destacado pelo presidente, a produção só não perdeu mais ritmo em virtude das exportações. Nos oito primeiros meses do ano, os embarques de caminhões cresceram 89,6%, para 18.970 unidades ante 10.007 embarcadas um ano antes. Cabe ressaltar, a participação da Argentina, que absorveu em torno de 11 mil modelos no período.


Foto: Divulgação Mercedes-Benz

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Décio Costa

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