O banho de água fria deve continuar na demanda por caminhões em 2026. Ao menos assim, a Volvo estima. Na mesa da gestão dos negócios, a fabricante espera continuidade das dificuldades do ano passado, com queda entre 5% e 10% ao fim do exercício de 2026 no mercado acima de 16 toneladas, faixa no qual atua.
Caso o planejamento esteja correto, contabilizará emplacamentos entre 77,9 mil e 82,3 mil em relação às 86,6 mil unidades absorvidas pelos transportadores de carga em 2025.
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Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo América Latina, tem lá na mesa pontos positivos e negativos para a estimativa e, brinca: “também um pouco de magia”.
Na lista de fatores favoráveis, o executivo aponta o nível de desemprego baixo, o que consolida consumo, a estimativa de mais uma safra robusta e a inflação em queda, que abre espaço para a redução dos juros.
Ao mesmo tempo, Lirmann relata como condições adversas os altos custos que pressionam a rentabilidade do agronegócio, a eleição no horizonte, que costuma provocar incertezas e o avanço do déficit fiscal aliado a juros elevados.
“A torcemos para que nossa a estimativa não se cumpra. Mas os desafios para 2026 continuarão. Juros ainda estarão elevados, que muitas vezes, na ponta, a operação não remunera o suficiente para sustentar um financiamento”, observa o presidente do Grupo Volvo.
Nem mesmo os R$ 10 bilhões alocados para compra de caminhões por meio do Programa Move Brasil desperta o entendimento de outro viés. Afinal, tem limite de recurso e prazo de validade.
“É certamente uma boa ideia e veio em momento adequado. Principalmente, porque funciona como um remédio na transição para um ambiente de taxas de juros reduzidas. Tem que ser temporário para não se transformar em uma bolha, como vimos no passado”, lembra Lirmann, se referindo ao início dos anos 2010, quando o chamado PSI (Programa de Sustentação do Investimento) ofereceu custo de crédito bem abaixo da inflação. Na época, até quem não atuava no transporte comprou caminhão como investimento.
Foto: Divulgação Volvo
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