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Qual o futuro da Peugeot e Citroën na América do Sul?

Já surgem indicativos, mas a resposta definitiva só em 21 de maio, quando o CEO Antonio Filosa apresentará o plano estratégico mundial da Stellantis

Em recente visita ao Brasil, Antonio Filosa, CEO mundial da Stellantis, preferiu esquivar-se de resposta objetiva à indagação do AutoIndústria sobre os atuais e futuros papeis das marcas Peugeot e Citroën no mercado sul-americano.

Quando da constituição da Stellantis, em 2021, o executivo assumiu a operação América do Sul e, dentre os primeiros objetivos estabelecidos publicamente por ele mesmo, estava o resgate, em cerca de três anos, da histórica participação combinada de 5% da Peugeot e da Citroën no mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves.

Passados cinco anos, entretanto, a dupla francesa pouco evoluiu. Da fatia de 1,8% que as duas marcas detinham conjuntamente em 2019, ainda no pré-pandemia, encerraram o primeiro trimestre de 2026 com 2,1% — e com a Peugeot respondendo por somente 0,8%, rigorosamente o mesmo índice de seis anos antes.

Na sua curta resposta, Filosa preferiu lembrar apenas que a Peugeot tinha excelente penetração na Argentina, onde passou a concentrar a produção de seus modelos para a região em 2023, deixando a fábrica de Porto Real, RJ, somente para a Citroën – exclusividade a ser interrompida este ano com o início de produção do Jeep Avenger.

Nada mais disse naquela tarde, em São Paulo, a não ser sugerir que terá novidades importantes em 21 de maio, dia em que apresentará em Detroit, nos Estados Unidos, novo plano estatégico da quarta maior montadora global, o primeiro sob o seu comando.

Apesar das quatro semanas que há pela frente para que Filosa descortine os rumos  que estabeleceu para suas marcas, produtos e operações, já começam a surgir, nos bastidores, algumas possíveis trajetórias.

Movimentos e investimentos mais concentrados

Reportagem de fôlego da agência de notícias Reuters aponta que a Stellantis, segundo fontes internas, passará a concentrar maior parte de seus investimentos nas marcas e segmentos de maior potencial de volume de vendas globais e mais rentáveis.

O texto relaciona nesse grupo que deverá abocanhar mais atenções e recursos as estadunidenses Jeep e Ram, e as europeias Peugeot e Fiat.

As demais dez marcas do grupo, afirmam, se valerão dos produtos e tecnologias originais do quarteto para encaminharem seus próprios projetos.

Tão ou mais importante: caberá às de menor volume, ouviu a agência de pessoas inteiradas do novo plano, atuação mais regional ou até mesmo nacional, em mercados onde já têm presenças relevantes ou potencial para isso, dentre elas estariam nomes como Citroën, Opel e Alfa Romeo.

Com essa nova estratégia, Filosa espera contornar sobretudo as dificuldades com as quais se deparou nos Estados Unidos e Europa desde que assumiu, há apenas dez meses, o posto mais alto do conglomerado surgido da fusão da PSA com a FCA em 2021.

Desde o ano seguinte, a participação nos dois principais polos consumidores do grupo vem declinando consistentemente. Na Europa, caiu de 20% para 14%. Nos Estados Unidos, de 12,5% para menos de 8%.

O encerramento de algumas marcas não estaria nos planos de Filosa, assim como não foi considerado por Carlos Tavares, seu antecessor. A Reuters ouviu da Stellantis apenas que as marcas são o ponto forte da empresa,assim como enfatizou a “escala global com raízes locais profundas”.

Ouvido pela agência, um alto executivo da montadora teria dito que o sucesso do plano dependerá menos da redução do portfólio e mais do uso estratégico das marcas em diferentes mercados.

Na operação América do Sul, responsável por cerca de 20% das vendas mundiais da Stellantis — e que tem trazido seguidas alegrias ao grupo, segundo o próprio CEO —, Peugeot e Citroën contribuem pouco no Brasil, maior mercado da região.

Na verdade, bem pouco diante de Fiat e Jeep, que acumularam 658 mil licenciamentos em 2025, perto de 88% do total negociado pela montadora, que tem ainda as picapes RAM em franca ascensão de vendas.

Dentro dessa possível nova estratégia, merecerão Citroën e especialmente a Peugeot condescendência após os restritos volumes que angariaram em quase uma década? Ou apenas uma delas? Em um mês, saberemos.


Foto: Divulgação

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George Guimarães

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