No mês passado, foram fabricadas 238,5 mil unidades

Ainda não se trata do melhor cenário idealizado pelos fabricantes de veículos, bem longe disso para um setor que tem ociosidade produtiva ao redor de 50%, mas a produção de 2026 tem “surpreendido” até aqui, para usar a expressão de Igor Calvet, presidente da Anfavea.
Nesta sexta-feira, 8, o dirigente da entidade que congrega as montadoras, revelou crescimento de 4,9% na fabricação brasileira de automóveis, comerciais leves, caminhôes e ônibus ao longo do primeiro quadrimestre.
Foram produzidos no período 872,6 mil veículos ante 831,6 mil nos primeiros quatro meses do ano passado. Desses, 826,6 mil automóveis e comerciais leves, 6,2% a mais, enquanto caminhões e ônibus somaram as outras 46,1 mil unidades,recuo de quase 13% puxado particularmente pela queda no segmento de transporte de carga.
No mês passado, saíram das linhas de montagem 238,5 mil veículos, 2,4% a mais do que em abril de 2025, mas 9,4% abaixo das 263,6 mil unidades de março, que ficaram muito além das expectativas, reconhece Calvet.
A aceleração das linhas de montagem no primeiro quadrimestre supera as projeções iniciais da entidade, que no começo do ano avaliou crescimento de 3,7%, para cerca de 2,74 milhões. Mas, mesmo diante do número acumulado até abril, Calvet diz que reverá as estimativas somente após o encerramento do primeiro semestre.
O temor do dirigente em arriscar um novo número agora reside sobretudo na dúvida da continuidade da demanda interna, que cresceu 14,9% na média, mas cerca de 17% no caso do segmento de leves, que acumularam 836,3 mil unidades, com alguma ajuda dos impostos reduzidos do Programa Carro Sustentável, que se encerra no fim deste ano.
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“Não imaginávamos um março tão forte, assim como abril também. Mas não sabemos ao certo se é um movimento perene já. É preciso observar que as taxas de juros não estão caindo como precisávamos e que o endividamento das famílias segue elevado”, analisa o presidente da Anfavea.
Não fosse pela aceleração dos licenciamentos no front interno, a produção brasileira, quase certo, teria registrado queda no ano. Isso porque as exportações seguem em declínio de quase 17%, desempenho credidato, em boa medida, ao encolhimento de 6% das vendas na Argentina, principal polo consumidor dos veículos brasileiros no exterior.
Foto: Divulgação
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