Ciro Possobom avalia que haverá um período de adequação, mas que poderia ocorrer com mais rapidez

Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, reconhece um cenário desafiador no curto prazo, mas mantém otimismo com a transformação do setor. A indústria automotiva nacional enfrenta pressão de importados e novas marcas no mercado, especialmente chinesas, que chegam com tecnologias mais recentes e custos competitivos.
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“A indústria está se transformando. Empresas estabelecidas aqui tomaram investimentos muito importantes desde 2023 e 2024, com centenas de bilhões de reais na região”, lembra Possobom, em conversa com jornalistas durante o Anfavea Visions, na quarta-feira, 10.
“A adequação, porém, exige tempo. A entrada de novos players, alíquotas de importação reduzidas, modelos CKD/SKD e dólar mais baixo criaram uma grande entrada de carros que pressiona preços para baixo”.
Desafio da adaptação
Trocar linhas de produção e plataformas não ocorre da noite para o dia. “Não consigo pegar uma fábrica e trocar amanhã, tirar todas as linhas e colocar uma nova plataforma”, observa o executivo. “Isso não vale só para a Volkswagen. GM, Hyundai e Toyota enfrentam o mesmo desafio: se acomodar aos novos concorrentes mantendo competitividade. O desafio é fazer isso de maneira mais rápida.”
O executivo aponta que a oportunidade está nova geração de veículos eletrificados que a Volkswagen lançará em breve. Chegará com altíssimo padrão e que não deve nada aos concorrentes”, garante Possobom, destacando que toda a indústria nacional segue o mesmo caminho de inovação. Uma dos primeiros contra-ataques confirmado é o ID.4, o primeiro elétrico da marca que será comercializado no Brasil ainda este ano.
Risco na produção de fato
O maior risco, porém, é real: a indústria pode optar por modelos CKD ou SKD, trazendo mais peças do exterior. “Quando há paridade fiscal e dólar baixo, o negócio funciona. Mas numa desvalorização cambial ou crise, isso dificulta muito”, reconhece Possobom. “Muitas empresas deixam de localizar componentes porque importar fica mais barato”
A prática, no entanto, o executivo entende, é insustentável a longo prazo. “É preciso ter uma coisa que seja sólida no negócio, mais durável.”
Importados ainda pressionam
De acordo com Possobom, a recomposição do imposto de importação prevista será capaz reduzir o ritmo de entrada de veículos estrangeiros, mas o alívio não será imediato. “Têm que escoar 300 mil carros em estoque. O segundo semestre vai ser pesado”, prevê o líder da Volkswagen. “Mas cabe lembrar que a atual alíquota de 14% para os CKDs segue até janeiro.”
Possobom apela para que as empresas respeitem as regras de transfer price e evitem subfaturamento. “Não pode haver briga para reduzir preço de forma artificial”, conclui, sinalizando que a sustentabilidade do setor depende de práticas comerciais éticas e de longo prazo.
Foto: Divulgação Anfavea
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