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Boreal já assume o papel que lhe cabe na Renault

SUV sobe patamar das vendas, mesmo diante da maior concorrência e ainda sem eletrificação

O Boreal ultrapassou os 1,5 mil licenciamentos em junho. É o melhor resultado mensal de vendas desde que o SUV médio da Renault chegou às concessionárias, efetivamente em novembro do ano passado, após quatro meses de sua apresentação, em julho de 2025.

Esse desempenho não representa, ainda, ameaça maior aos líderes do segmento, que trafegam na faixa acima das 4 mil ou até 5 mil unidades vendidas a cada mês, mas sugere que o modelo produzido em São José dos Pinhais, PR, tem potencial para conquistar bem mais clientes.

No primeiro semestre, a Fenabrave contabilizou 6,3 mil unidades negociadas do SUV, média superior a 1 mil veículos a cada mês. Desde o início das vendas, no ano passado, foram 8,5 mil, mesmo patamar mensal, portanto.

Dentro da linha Renault, porém, o Boreal já se equipara ao Duster no que diz respeito aos licenciamentos e tem amealhado mais consumidores desde março, ainda que custando mais.

Enquanto o Duster tem preços entre R$ 132 mil e RS$ 172 mil, o Boreal parte dos R$ 180 mil até R$ 215 mil, sempre com motor 1.3 turbo flex.

 

Duster tem o “pouso” das vendas bem controlado

É claro que o desenho, projeto mais moderno e o nível de tecnologia do novo SUV, inclusive na versão de entrada Evolution, fazem do modelo a referência nacional para a linha Renault. Assim como a diferença no momento da escolha, mesmo para quem pondera desembolsar menos para comprar um utilitário esportivo desse porte.

Lançado em 2011, o Duster evoluiu — e muito — desde então, mas sente o peso dos anos. A Renault sabe muito bem disso e prepara um substituto para os próximos meses, mais tardar 2027, que manterá ou não o mesmo nome, igualmente produzido pela Renault Gelley do Brasil no Paraná e que compartilhará a plataforma com o próprio Boreal e o Kardian.

Não será surpresa, assim, se neste segundo semestre as 6,6 mil unidades negociadas de janeiro a junho fiquem à frente, confirmando a natural desaceleração de um produto em transição.

Mas o “pouso” do Duster está sendo bem calculado para que a Renault não perca fluxo nas lojas e mais participação, de 4,7% em 2026 e que esteve em 5,1% no ano passado. A marca trabalhará para, paralelamente, colocar o Boreal em maior evidência do que ocorreu até aqui.

O esforço, contudo, será redobrado, uma vez que o segmento tornou-se alvo preferencial de várias marcas, inclusive com produtos importados, está abarrotado de lançamentos recentes e terá muito mais novidades nos próximos meses e também em 2027.

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A explosão da oferta de modelos eletrificados no segmento de dois anos para cá talvez não tenha sido bem mensurada pela Renault quando da definição do portfólio de versões do Boreal que estariam à venda em 2026.

Essa escorregada é sublinhada pela própria parceira Geely, que já em meados do ano passado apresentou o EX5 elétrico e, pouco tempo depois, definido que o SUV será o primeiro modelo da marca a ser montado no Brasil, neste segundo semestre e já com motorização híbrida.

A eletrificação do Boreal, portanto, é demanda urgente, fundamental para a sustentação ou voos mais altos em vendas e sobre a qual a engenharia da Renault está debruçada.

O trabalho será materializado na forma de uma versão híbrida — já oferecida na Turquia, mas que estreará aqui somente em 2027, como admitiu Ariel Montenegro, presidente da Renault Geely no Brasil, em declarações recentes.


Foto: Divulgação

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Publicado por
George Guimarães

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