Era 1973 quando Giovanni Agnelli, maior acionista mas, na prática, o dono da Fiat, acrônimo de Fabbrica Italiana Automobili Torino, complexo industrial automotivo criado em 1899 por seu avô, também Giovanni, deslocou-se pessoalmente de Turim, Itália, para Belo Horizonte, MG.
A missão: assinar, em 14 de março de 1973, no Palácio da Liberdade, o Acordo de Comunhão de Interesses com o Governo do Estado de Minas Gerais para a construção da primeira fábrica da empresa em todo o mundo fora da Itália.
Desse ato formal e simbólico até o primeiro automóvel 147 sair da linha de montagem, oficialmente em 9 de julho de 1976, foram necessárias obras que deflagraram uma nova etapa econômica na então rural Betim, localizada a apenas 40 quilômetros da capital mineira e com não mais de 40 mil habitantes à época.

1973: Agnelli (à esq) assina acordo para a primeira fábrica da Fiat fora da Itália.
Cinquenta anos após o início de produção do pequeno hatch, o agora Polo Automotivo Stellantis de Betim é o mais importante complexo industrial da empresa na América do Sul, abrigado em 2,2 milhões de metros quadrados, perto de 900 mil m² de área construída.
De lá, nesse meio século, saíram mais de 18 milhões de veículos de dezenas de modelos. E não apenas para o Brasil: desde seus primeiros anos, a planta mineira foi credenciada como base produtiva também para mercados internacionais, inclusive a própria Itália.
A conta atual registra pelo menos 4 milhões de carros de passeio, utilitários e comerciais leves embarcados para cerca de 40 países. Vários produzidos com características técnicas específicas para os mercados de destino, como motorização a diesel ou direção do lado direito, dentre outras.

147: primeiro carro de mais de 18 milhões de veículos produzidos em cinco décadas.
Esse perfil exportador de nascença fez com que a Fiat fosse, durante anos, a marca líder em exportações de veículos do País e a mantém ainda com destacado papel exportador, especialmente para mercados da América Latina.
Para sustentar também a liderança da marca com participação média de 20% nos últimos anos no mercado interno, a planta de Betim reúne agora 19 mil funcionários em três turnos de trabalho, que agregam peças, componentes e serviços de mais de 400 fornecedores, parcela robusta instalada no entorno da própria fábrica em municípios vizinhos.
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A rede de fornecimento mineira, essencial para a fabricação de até 650 mil unidades de sete modelos por ano em Betim – além de 1,1 milhão de motores anuais –, foi constituída a partir da estratégia batizada de “mineirização”, adotada no início dos anos 90 para atrair fornecedores para Minas Gerais, quase todos concentrados até então no Estado de São Paulo.
Esse processo, assim como a expansão da fábrica ao longo dos anos, decorrência de seguidos ciclos de investimentos, transformou radicalmente a cidade e a região. De 1996 a 2007, o PIB de Betim, agora com mais de 400 mil habitantes, cresceu 261%, aponta levantamento do IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a partir de dados fornecidos pelo IBGE.
A pujança e peso da planta mineira pode ser expressa ainda pelo fato de ser ela a base produtiva dos veículos mais importantes em vendas da Stellantis na América do Sul.
Produtos como a picape compacta Strada, líder do mercado brasileiro nos últimos cinco anos e que encerrará 2026 novamente à frente, ou o Argo, o terceiro modelo mais licenciado do País, o segundo entre os carros de passeio.

Até 2030, Stellantis encaminha maior investimento para Betim em toda a história
Dos cerca de 750 mil veículos vendidos pelo grupo no Brasil em 2025, inclusive importados, nada menos do que 500 mil foram montados em Betim, exatos dois terços. E nada indica que será diferente daqui para frente.
Ao contrário. A julgar pelo ciclo de investimentos em curso até 2030, a Stellantis seguirá tendo em Betim, também transformada em polo de desenvolvimento de tecnologias para o grupo, especialmente as ligadas a combustíveis renováveis, na primeira prateleira de prioridades.
Dos R$ 32 bilhões previstos para o quinquênio de 2025 a 2030 para a América do Sul – e que resultarão no lançamento de 40 modelos, quatro novas arquiteturas e oito novas motorizações –, inclusive as contempladas pelo programa local de tecnologias eletrificadas Bio-Hybrid, para Betim estão sendo encaminhados R$ 14 bilhões, 44% do total da região.
É o maior volume de recursos já direcionados para a planta ao longo de suas cinco décadas, agora um hub mundial de desenvolvimento e tecnologia, com mais de 4 mil engenheiros e que atuam e atuarão para todo o grupo.
A consagrada frase “sou do mundo, sou Minas Gerais”, da icônica música “Para Lennon e McCartney”, de Lô Borges, Márcio Borges e Fernando Brant, nunca será tão verdadeira como nos próximos anos lá pelas bandas de Betim.
Fotos: Divulgação
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