Durou apenas e exatos quatro anos a trajetória do Kwid E-Tech no Brasil. O compacto importado da China não consta mais do site oficial da Renault, que confirmou que retirou do portfólio o elétrico mais barato do mercado nacional.
Mesmo custanto R$ 100 mil, quase 20% a menos do que o principal concorrente — leia-se BYD Dolphin Mini —, o Kwid elétrico nunca esboçou um melhor desempenho comercial ou qualquer incômodo ao demais carros movidos exclusivamente a bateria. Superou somente 3 mil unidades licenciadas desde abril de 2022, mesmo com uma elogiosa atualização estética nesse período.
Em 2025, segundo a Fenabrave, chegaram aos clientes finais apenas 599 unidades, ante 32,5 mil do Dolphin Mini, elétrico mais vendido do País e que somente no primeiro quadrimestre de 2026 tem mais de 21,6 mil licenciamentos.
A Renault, entretanto, alega que a interrupção da oferta do Kwid se deve “à dificuldade de obtenção de volumes necessários para garantir a continuidade da comercialização”. A disposição do modelo nas concessionárias da marca, de fato, ficou cada vez mais restrita a partir do segundo semestre de 2025.
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Com o fim do Kwid E-Tech no Brasil, o cardápio de elétricos da Renault no mercado interno limita-se agora ao Megàne e ao utilitário leve Kangoo, que custam, respectivamente, R$ 280 mil e R$ 290 mil. Dois produtos de vendas residuais. Tanto que, dos 227 elétricos vendidos pela marca de janeiro a abril, 215 foram do agora aposentado Kwid.
Apesar de não confirmar oficialmente, é visível que a estratégia da marca francesa para o segmento de elétricos no País ganhou outros propósitos com a criação da Renault Geely do Brasil, a partir da aquisição, em 2025, de 26% da fábrica de São José dos Pinhais, PR, por parte da montadora chinesa.
A vez do Geely EX2
Para o segmento de elétricos de entrada, a nova empresa, claramente, passou então a direcionar duas versões do ainda importado Geely EX2, com preços de R$ 124 mil e R$ 137 mil, e que rapidamente tiveram aceitação dos consumidores.
Lançado em novembro do ano passado, o EX2 já tem mais de 8,5 mil licenciamentos, quase 6,1 mil no primeiro quadrimestre. E isso porque a empresa enfrentou atraso na chegada dos lotes trazidos da China, o que evitou um volume negociado ainda mais significativo.
Com esse desempenho até acima do esperado, a Renault Geely decidiu fabricar o compacto no Paraná. A decisão, ainda não oficializada, prevê a produção do modelo ainda em 2026, junto com o EX5-EMi, versão híbrida do utilitário esportivo recém-lançada.
A produção local eliminará o longo processo de importação e transporte do EX-2 da China para cá, o que, espera a Renault Geely, pode acelerar o crescimento das vendas a ponto de o modelo fazer frente ao Dolphin Mini, nacionalizado pela BYD desde o fim de 2025 e que vendeu 7,9 mil unidades só em abril, o dobro do EX2.
Foto: Divulgação
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