Há momentos que forçam a objetividade, ainda que não se queira. A experiência que AutoIndústria teve ao volante do Geely EX5 EM-i ao longo de uma semana é, por certo, um dessas situações. Corre-se o risco, naturalmente, de desaprovações aqui e acolá, mas a transparência é essencial.
Destacar um ou outro automóvel, entre tantos, cada qual com vantagens e desvantagens, é caminhar na corda bamba, mas da para assegurar que o utilitário esportivo (ainda importado) é o melhor produto eletrificado de seu segmento e faixas de preço, que começam em R$ 190 mil e vão a R$ 235 mil — a marca diz que são valores promocionais, mas eles seguem no site oficial há quase três meses.
As razões são muitas para que eventuais interessados optem pelo EX5 EM-i no momento de comprar um SUV médio, mesmo em sua versão mais barata.
A GWM consegue, com ele, dar resposta para lá de satisfatória para a sempre complicada equação conforto-tecnologia-qualidade-preço, além, claro, de assegurar que o proprietário não precise temer a escassez de eletropostos em uma viagem mais longa ou mesmo, ainda, a indejada demora para o carregamento da bateria de um modelo exclusivamente elétrico.
A Geely dotou o plug-in de sistema propulsor com potência combinada de 262 cv de dois motores elétricos — um deles principal, de 218 cv — e outro a combustão de 1,5 litro que atua prioritariamente como gerador para as baterias.
Com esse conjunto, o SUV de 1,8 mil quilos acelera da imobilidade a 100 km/h em 7,8 segundos, desempenho que não desagradará mesmo a quem procura um veículo, digamos, “menos família” no comportamento dinâmico.
Mas muito mais importante e que fará os olhos de potenciais clientes brilharem: a autonomia declarada ao redor dos 1,3 mil km, da qual o AutoIndústria se aproximou, mesmo sem grandes preocupações com o pé direito mais pesado sobre o acelerador e percorrendo a maior parte do trecho na velocidade limite prevista para as boas estradas do Estado de São Paulo, quase sempre planas.
Andamos na versão topo Ultra, dotada de bateria de 29,8 kWh, com alcance elétrico de 112 km, segundo o Inmetro — as de entrada e intermediária Pro e Max podem percorrer somente 65 km com a bateria de 18,4 kWh.

É, realmente, um alívio não precisar tirar, com alguma frequência, os olhos do caminho para monitorar quantos porcento restam de energia após um trecho de aclive ou de se ter entusiasmado a andar um pouco mais rápido.
Some-se a isso, o conforto proporcionado pela plataforma GEA, específica para veículos eletrificados e presente em modelos de outras marcas controladas pela Geely, como os da Volvo. Estão disponíveis 2.755 mm para o entre-eixos.
Com 4.740 mm de comprimento e vários recursos de auxílio à condução e manobras, não demanda nenhum sacrifício no momento de estacionar em vagas de espaço limitado.
Se o design não foge muito ao que os brasileiros têm conhecido nos diversos veículos chineses lançados de dois ou três anos para cá, o acabamento interior é, sim, uma referência.
Materiais de toque suave estão por todos os lados, há ventilação e ajustes elétricos nos banco dianteiros — com memória no caso do motorista —, o sistema de som impressiona, com 16 alto-falantes, inclusive nos apoios de cabeça da frente, e, a partir da vesão Max, teto solar panorâmico.
À frente do motorista, claro, predominam as telas de 15,4 polegadas do multimídia, de 10,2 polegadas do quadro de instrumentos e o head-up display de 13,8 polegadas. Felizmente, a Geely não extinguiu os botões físicos para diversas funções, como ocorre em vários veículos chineses.
Incrível (contém ironia), mas é possível regular os retrovisores com os comandos instalados no apoia-abraço, algo tão simples como prático, e não ter que procurar no mulmídia onde ajustá-los, como estão aculturados os consumidores chineses e nem um pouco os brasileiros.
O EX5 EM-i será o primeiro modelo da marca fabricado no País, a partir do segundo semestre. A fábrica da Renault Geely em São José dos Pinhais, PR, já montou as primeiras unidades do utilitário esportivo.
Se novamente a Geely conseguir bem equalizar o custo-benefício na versão nacional, pode, sim, trazer muito mais dores de cabeça aos concorrentes diretos a ponto de brigar pela liderança do segmento em 2027. Para não duvidar, só mesmo após um bom test-drive,
Foto: Divulgação
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