Por George Guimarães

Os fortes sinais de recuperação do mercado interno de caminhões e a perspectiva de crescimento da ordem de dois dígitos em 2018 animam as montadoras de veículos. Se ainda assim os melhores tempos de produção ficarão longe, o quadro atual é substanciancialmente melhor do que nos últimos três anos, quando a curva de vendas apontou sistematicamente para baixo.

Se os fabricantes de veículos pesados estão mais animados, o mesmo clima se verifica nos seus fornecedores. Alguns também por motivos adicionais, caso da ZF, que  tem registrado crescente aumento de participação de suas trasmissões automatizadas e automáticas no mercado brasileiro, produtos de maior valor agregado.

Por conta disso, a fábrica da empresa em Sorocaba (SP) mudou drasticamente seu perfil de produção nos últimos anos. Hoje, cerca de 60% das transmissões para caminhões pesados fabricadas lá são automatizadas.  E a tendência, avalia Alexandre Marreco, gerente de vendas da ZF, é de evolução dessa participação.

Trata-se, na verdade, quase de um nova cultura  dos transportadores brasileiros. “Costumo visitar nossos clientes, frotistas, e agora vejo que eles avaliam muito mais o custo operacional de um caminhão e não somente o preço de compra. E isso é crescente”, diz Marreco, que recorda o esforço inicial da empresa para explicar as vantagens  do sistema.

“É algo irreversível nesse segmento e que agora começa a se verificar também nos médios”, avalia o executivo. De fato, praticamente toda a produção brasileira de caminhões pesados hoje conta com transmissões automatizadas, um tanto mais barata que as automática, mas que, segundo a ZF, agrega igualmente conforto, segurança e menor custo de manutenção, características que têm atraído cada vez mais clientes.

Não por outro motivo a ZF decidiu no ano passado investimento da ordem de R$ 30 milhões para fabricar duas novas transmissões automatizadas para caminhões: a TraXon, para modelos pesados, e a 9AS EcoTronic, para veículos médios e semipesados. Como mercado em ascensão,  mais rapidamente esses produtos  sairão do papel. Durante o anúncio, Wilson Brício, presidente da empresa, revelou que já itnha pedidos fechados para fonrecimento já em 2018.  Além das futuras TraXon e da 9AS EcoTronic,  a empresa já oferece a AS-Tronic de e a AS Light.

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O segmento de ônibus é outro pilar importante para a evolução dos negócios da ZF aqui. Em especial o segmento o de urbanos, mais frequentemente equipados com transmissões automáticas. Neste caso, porém, somente com produtos importados. “Mas mesmo assim, temos estudos que indicam que o investimento adicional se paga em apenas dois anos de operação do ônibus, que normalmente circula durante dez anos.”

A produção em Sorocaba de transmissões automáticas  é algo totalmente fora de cogitação no curto prazo, mesmo que o mercado interno voltasse ao histórico patamar recorde de cerca de 200 mil unidades fabricadas. Por uma mátemática razão:  a ZF tem duas grandes bases produtivas  mundiais dessas transmissões. Só  a fábrica de  Gray Court, na Carolina do Sul, Estados Unidos, tem capacidade para algo como 2 milhões de unidades anuais.

O destino dos câmbios manuais, portanto, não parece se nada promissor, seja no ou também aqui no Brasil. Ainda que as velocidades dessa quase extinção possa ser bem difetrente. É bom lembrar a elevada idade média da frota brasileira. “As transmissões manuais continuarão a existir,  mas muito mais naqueles segmentos e países em que o fator preço é o principal motivo de ocmpra”, diz  Marreco.


Fotos: Divulgação/ZF