Por Redação | autoindustria@autoindustria.com.br

Enquanto a greve na Mercedes-Benz completou quatro dias por falta de acerto entre as partes, os trabalhadores da Scania aprovaram na quinta-feira, 17, proposta de acordo coletivo com validade de dois anos negociada entre a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Em contraste com o período de crise no mercado de caminhões, quando os trabalhadores sequer conseguiram o repasse do INPC, desta vez foi acertado aumento real de 2%.

Eles terão reposição salarial pelo INPC na data-base em setembro e os 2% adicionais a partir de janeiro do ano que vem. Também foi acertado o pagamento da PLR, Participação nos Lucros e Resultados, em duas parcelas (junho deste ano e janeiro de 2019), em valor não divulgado pela entidade sindical.

O mesmo calendário, tanto de reajuste como da nova PRL, será aplicado no próximo ano. A proposta, aprovada em assembléia realizada na fábrica, envolve também a introdução de um vale-compras mensal a partir da data-base deste ano.

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“Conseguimos nessa negociação recuperar as perdas dos últimos anos, principalmente 2015 e 2016, quando tivemos de fazer negociações abaixo do índice do INPC. Naquele momento os trabalhadores entenderam a situação. Agora é o momento de recuperar”, comentou Regis Guedes, coordenador do Comitê Sindical (CSE) na Scania.

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O diretor-executivo do sindicato e trabalhador na montadora, Carlos Caramelo, lembrou que “o momento vivido hoje na fábrica é resultado de negociações anteriores que visaram novos investimentos, vinda de produtos e garantias de exportação, construídas a partir da mobilização dos trabalhadores”.

A fábrica de São Bernardo é a única planta da Scania no Brasil. A empresa produz caminhões, chassis para ônibus e motores para geradores. Atualmente a montadora possui 4,2 mil trabalhadores.

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Grande parte dos metalúrgicos do Brasil estão atualmente em negociações, principalmente nas montadoras e autopeças. Na Renault foi acertada PLR de R$ 25,5 mil, a maior publicamente divulgada até o momento. Na Mercedes-Benz o impasse envolve exatamente o valor da participação nos lucros e o índice de reajuste salarial.


Foto: Divulgação/SMABC/Adonis Guerra