Por Joel Leite

 Os carros elétricos modernos aumentam cada vez mais a autonomia, passando dos 400 quilômetros sem reabastecimento. E a maioria das montadoras segue invrestindo na produção de baterias mais robustas, uma forma de equalizar o uso do elétrico com os carros a combustão e, portanto, colocá-los em condições de igualdade no mercado.

Mas o chefe da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, Carlos Ghosn, definiu como estratégia para o mercado de elétricos a prioridade no preço do carro, em vez de um aumento substancial da autonomia. Para ele, uma vez superado os 300 quilômetros de autonomia, os usuários vêem no preço a principal barreira para a aquisição do veículo.

Para Ghosn, o patamar de 300 km de autonomia é suficiente e, portanto, a partir disso, os esforços devem concentrar-se na redução do preço final para o consumidor. Ele considera que a atual autonomia do carro elétrico resolve as necessidades da maioria dos usuários, que, segundo ele, não roda mais do que 50 quilômetros por dia nas grandes cidades.

Não temos estatísticas oficiais do número de quilômetros rodados, mas a média anual utilizada com base no cálculo da Inflação do Carro da Agência Autoinfome é entre 12 mil e 15 mil quilîometros por ano, o que significa entre 30 a 40 quilômetros diários.

Isso quer dizer que uma autonomia de 300 quilômetros é mais do que suficiente para o motorista rodar diariamenteno  nas cidades e até mesmo fazer viagens pequenas, como de São Paulo à região de Campinas ou à Baixada Santista. Isso sem contar que já existe tecnologia capaz de reabastecer as baterias em poucos minutos.

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Carlos Ghosn fez esse discurso na China, onde a empresa tem o elétrico Leaf e cujo preço, segundo o próprio dirigente, não está adequado para aquele mercado. Assim, a Aliança lançou no país o Sylphy ZE, um sedã desenvolvido especialmente para os chineses.

Feito sobre a plataforma do Leaf, o Sylphy tem autonomia de 348 km, correspondente às exigências chinesas, carrega rápido e tem preço justo (ainda não divulgado) para o mercado, segundo a fabricante. Apesar de ser específico para o mercado chinês, o lançamento pode ser caminho para novos elétricos com preço justo. Outros detalhes do carro estarão disponíveis quando as vendas começarem, ainda neste ano.

Ricardo Guggisberg, presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos, concorda que a autonomia atual dos carros elétricos é bastante razoável. “Trezentos, 400 quilômetros de autonomia são suficientes para o dia a dia. É a mesma autonomia de um carro a combustão. O que o setor precisa resolver é a rede de abastecimento nas estradas”, disse.

Para ele, o setor começa agora a experiência, pois a partir da redução do IPI (que deve cair de 25% para 7% com a assinatura do Rota 2030) as empresas começarão a importar carros elétricos e híbridos e assim o  setor saberá qual é a resposta do mercado, qual o interesse do consumidor.

* Joel Leite é jornalista, palestrante e criador da Agência AutoInforme, agência especializada no setor automotivo