Com Argentina e México em dificuldades, embarques cresceram apenas 0,5% no primeiro semestre

Por George Guimarães | george@autoindustria.com.br
A indústria automobilística brasileira já não dá como certo um novo recorde de exportações em 2018. Depois dos 766 mil veículos embarcados no ano passado, melhor resultado ao longo de seis décadas do setor, os números do primeiro semestre deixaram dúvidas se a marca poderá ser batida.
De janeiro a junho o Brasil exportou 379 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, apenas 0,5% a mais do que em igual período do ano passado. Em junho, foram destinados a outros mercados 64,9 mil unidades, queda de 4,4% sobre o volume registrado no mesmo mês de 2017 e apenas o quarto melhor resultado mensal deste ano.
Pelas projeções iniciais da Anfavea, o setor poderia superar 800 mil unidades ao longo dos doze meses de 2018, crescimento de 4,5%. Mas nesta sexta-feira, 6, o próprio presidente da entidade, Antonio Megale,revelou que a expectativa agora é de repetir o resultado de 2017, não mais do que isso.
O executivo foi objetivo ao justificar essa desaceleração: Argentina e México, os dois mercados mais importantes dos veículos leves brasileiros no exterior, passam por delicado momento econômico e político. No caso argentino, em particular, citou a desvalorização cambial do peso e o forte aumento das taxas de juros.
“Nossas montadoras já têm recebido pedido de revisão de volumes”, revelou Megale. “Mas não dá para reclamar: afinal crescemos um pouco no primeiro semestre”.
Se em unidades o quadro tende ao equilíbrio com relação ao ano passado, em valores o setor segue em curva ascendente. No acumulado dos primeiros seis meses do ano as vendas de veículos no exterior superaram US$ 8,6 bilhões, 16,7% a mais do que no mesmo período do ano assado.
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Só em junho foram negociados US$ 1,4 bilhão, melhor resultado para esse mês em toda a história. O resultado semestral também é o melhor já registrado para o período e Megale acredita que os negócios externos esbarrarão nos US$ 16 bilhões em 2018.
Essa aparente contradição entre volume estagnado e faturamento ascendente tem a ver com o perfil dos produtos. As exportações de máquinas agricolas e rodoviárias, produtos de maior valor agregado, ultrapassaram 6,1 mil unidades no primeiro semestre, crescimento de 2,1%. Para o ano cheio, a Anfavea projeta 15 mil equipamentos, evolução de 7% sobre 2017.
Foto: Divulgação/ VW
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