Por Redação | autoindustria@autoindustria.com.br

A greve dos caminhoneiros no Brasil não jogou água apenas na fervura da produção nacional de veículos. A Adefa, a associação dos fabricantes de veículos da Argentina, relacionou a paralisação dos transportes brasileiros como um dos três motivos que derrubaram os números do setor no País vizinho no mês passado.

Segundo a entidade, a greve brasileira se somou à paralisação geral de trabalhadores e dos serviços aduaneiros na Argentina para atrapalhar tanto o fluxo de produção quanto o de vendas de veículos. Na prática, a indústria automotiva local contabilizou de apenas 17 dias úteis em junho.

Tanto que foram fabricados no mês somente 39,4 mil veículos, 15,8 % a menos do que em maio e 13,4% abaixo do mesmo mês do ano passado. Foi o terceiro menor resultado mensal de 2018, acima somente dos números de janeiro e fevereiro, tradicionalmente período de volumes mais baixos em decorrência das férias e de dias úteis reduzidos.

O saldo do primeiro semestre, porém, ainda segue positivo. De janeiro a junho foram fabricados 242,6 mil veículos, 10% a mais do que em igual período do ano passado.

As vendas no atacado em junho foram ainda mais prejudicadas. Limitaram-se a 55,3 mil veículos, sensível queda de 26,9% sobre maio e ainda maior com relação ao mesmo mês do ano passado, da ordem de 31%. Cravaram, assim, o pior desempenho desde julho de 2017, quando foram entregues às revendas 52,7 mil veículos.

O aguardado avanço mais robusto do mercado interno argentino em 2018, portanto, começa a ficar mais distante. No acumulado do primeiro semestre foram negociados com as concessionárias 421,6 mil unidades, incremento marginal de 1,6 % na ocmparação com 2017.

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As exportações, curiosamente, até passaram bem pelos os problemas apontados pela Adefa e registram o segundo maior volume mensal do ano, atrás somente do resultado de março, quando a Argentina exportou 27,7 mil veículos.  Foram embarcados no mês passado 22,9 mil unidades, 16,2% acima de junho de 2017 e 6,8% a mais do que em maio.

Ao longo de 2018 a Argentina já destinou para outros mercados 121,6 mil veículos, crescimento de 23,5 % sobre os primeiros seis meses de 2017. O Brasil absorveu 70% desse total.

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Luis Fernando Peláez Gamboa, presidente da Adefa, afirma que o  quadro econômico argentino, com um câmbio mais favorável, çode aumentar a competitividade e manter a produção em elevação no segundo semestre, assim como as exportações.

Por outro lado, pondera Gamboa, o aumento dos juros representam um risco ao mercado interno de veículos. “Afeta dirtamente as vendas, já que metade delas são financiadas”, que torce para uma redução das taxas rapidamente. ” Assim poderemos retomar o crescimento que o setor mostrou nos primeiros cinco meses do ano.”