Por Redação | autoindustria@autoindustria.com.br

Ainda que as vendas de motocicletas novas exibam em 2018 apenas discreta recuperação após quatro anos de fortes quedas, a frota de usadas cresceu 134% na última década e já superou 26,1 milhões de unidades. Mercado desse porte chama a atenção de quem produz componentes para a reposição em qualquer parte do mundo.

E esse tem sido o principal problema da indústria brasileira de componentes e motopeças nos últimos tempos. Alguns setores, em particular, mostram-se particularmente preocupados com a importação indiscriminada de partes e peças e que nem sempre é realizada de forma legal.

É o caso  dos populares kits de transmissão, que englobam coroa, pinhão e corrente. O número de importações desses conjuntos cresceu significativamente nos últimos anos e, segundo o Sicetel -Sindicato Nacional da Indústria de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos, “em alguns casos a qualidade é duvidosa”.

Mas o que mais preocupa, acusa o Sicetel, é a sonegação de impostos. Parte dos importadores estaria declarando valores dos componentes inferiores até mesmo ao custo do aço na China, a matéria-prima das peças.

Entre 2013 e 2018 perto de 82% dos componentes entraram no País com preços subfaturados

“Essas práticas têm gerado lucros aos importadores e prejuízos aos fabricantes nacionais e a toda indústria metalmecânica e siderúrgica envolvida nesse processo”, afirma Walter Antonio Romano, gerente executivo da Sicetel.

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As acusações da indústria local estão fundamentadas em estudo desenvolvido pela própria entidade para a definição de valor médio real do custo desses kits e que considerou todos os aspectos produtivos e comerciais desde a matéria-prima.

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O estudo aponta que a grande maioria das importações é realizada por valores abaixo desse índice médio “e, em casos mais pontuais, demasiadamente baixos”.

Entre 2013 e 2018 perto de 82% dos componentes entraram no País com preços subfaturados, diz o Sicetel, que mensalmente tem acompanhado os dados da Receita Federal e indicado  possíveis irregularidades.

“É uma iniciativa em defesa da concorrência leal em detrimento a práticas de subfaturamento, baixa qualidade, não atendimento às normas técnicas ou qualquer outra irregularidade ”, enfatiza Romano.


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