Por Joel Leite

Entidades ligadas à segurança veicular dos Estados Unidos denunciam que os utilitários esportivos representam maior risco de acidente com pedestres do que ooutros modelos de veículos. Isso ocorre porque os chamados SUVs têm pior visibilidade.

As autoridades vêem com preocupação a crescente participação desses carros em atropelamentos de pedestres: nos últimos dez anos o número de incidentes do gênero cresceram 46% nos Estados Unidos, período em que a participação do utilitário esportivo teve  aumento expressivo no mercado.

A indústria se defende: o representante de uma montadora disse que aumentou o número de atropelamentos por SUVs porque há mais SUVs do que automóveis nas ruas.   Mas agências de segurança estadunidenses confirmam que os SUVs, por serem mais altos e maiores, oferecem menor visibilidade ao motorista.

Os especialistas vão além na acusação dos SUVs como os mais perigosos para os pedestres. Alegam que eles são mais pesados e que os donos desse tipo de carro estão mais propensos a distrações ao volante, porque usam mais o celular e se distraem com mais facilidade, uma vez que os SUVs costumam ter mais acessórios e equipamentos para serem operados.

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Até a qualidade dinâmica do carro é alegada como maior risco: são carros com menor manobrabilidade e menos reativos a uma eventual manobra de emergência para desviar de um pedestre ou um ciclista.

Diante de todas essas questões, as autoridades de trânsito vão exigir dos fabricantes de SUVs e crossovers a incorporação de sistema de detecção de pedestre e frenagem de emergência até 2021.

A câmera de ré é um item essencial para a segurança nas manobras e cada vez mais utilizado nos carros fabricados no Brasil. Até modelos de entrada já possuem o equipamento. Apesar dessa disseminação, o programa Rota 2030 prevê a obrigatoriedade da câmera de ré somente para 2032.

O Cesvi, Centro de Experimentação e Segurança Viária, criou o índice de visibilidade avaliando os pontos cegos dos veículos, tanto pela obstrução da visão pela coluna A, quanto os pontos cegos dos retrovisores laterais externos. O estudo também avalia a visibilidade do espelho retrovisor interno (área traseira do veículo visível pelo retrovisor interno). Os carros com sensores e câmeras de estacionamento recebem pontuação diferenciada.

De certa forma, o Cesvi corrobora com a tese de que o desenho do veículo pode determinar (prejudicar ou melhorar) a visibilidade. “Em determinados modelos pode ser prejudicada por dois motivos: design ou formato de carroceria. Por exemplo, os veículos que possuem uma “linha de cintura” mais inclinada faz com que objetos na traseira do veículo sejam visualizados de forma mais distante quando é visto pelo retrovisor interno”, avalia a entidade.

* Joel Leite é jornalista, palestrante e criador da Agência AutoInforme, agência especializada no setor automotivo

 

Foto: Divulgação/GM