É uma experiência interessante: você entra na plataforma do Centro de Simulação de Dinâmica Veicular da FCA, que tem a estrutura de um carro, e acelera a máquina como se estivesse  numa pista. Ela faz todos os movimentos da condução na rua, reproduz os sons do motor, a reação dos pneus com o piso e até a paisagem externa vai mudando conforme o “carro” faz as curvas ou acelera na reta.

O simulador foi desenvolvido em parceria com a PUC de Minas Gerais, onde está instalado, e é usado tanto pela engenharia da empresa como pelos alunos da universidade. Para a FCA, a criação do centro significa “mais um passo para o desenvolvimento de tecnologia automotiva no Brasil”.

Foram investidos R$ 18 milhões no projeto, montante adquirido por meio de política de incentivo do Inovar-Auto e do BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

A grande vantagem do sistema é que ele permite a realização de testes num ambiente controlado, sem ter que ir a uma pista, o que facilita a vida dos avaliadores e reduz os custos de operação. E a sensação de dirigir é a mesma de uma pista real.

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Na verdade, as primeiras aceleradas podem produzir certo desconforto ao motorista. É preciso um tempo para perceber a sensibilidade do acelerador, caso contrário o sistema pode provocar enjôo e promover uma direção conturbada. Pelo menos essa foi a minha reação a bordo da plataforma. Resultado da falta de experiência, que se obtém rapidamente, com duas ou três voltinhas no circuito virtual.

Os técnicos analisam a aceleração, o ângulo do volante, a troca de marchas, o torque e a potência do motor e, assim, definem as características de cada componente, como amortecedores, molas, pneus, direção e freios, para que sejam obtidos parâmetro para a construção das peças. O simulador estuda também o comportamento do motorista, a distração ao volante, o cansaço e o efeito do consumo de álcool.

* Joel Leite é jornalista, palestrante e criador da Agência AutoInforme, agência especializada no setor automotivo