Depois das informações que davam a entender que a GM poderia deixar o Brasil, dirigentes da montadora desmentiram, mas confirmaram que vão fazer uma reestruturação visando melhorar sua lucratividade no Mercosul e no Brasil.

Oficialmente a empresa declara que está concluindo o plano de investimento de R$ 13 bilhões no período de 2014 a 2019; que está negociando condições de viabilidade para investimento adicional de R$ 10 bilhões de 2020 a 2024 e que,  caso as negociações tenham sucesso, investiria, portanto, R$ 23 bilhões entre 2014 e 2024.

Questionada pela Autonforme, a montadora não respondeu se cogita deixar o Brasil caso não obtenha lucro neste ano ou nos próximos anos e se os investimentos dependem de acordos com os parceiros.

Se a GM considera que não tem lucro em sua operação no Brasil, ela provavelmente se refere à venda do seu carro de entrada, o Onix. Difícil não ter lucro num modelo de entrada que custa de R$ 45 mil a R$ 60 mil e que vende 200 mil carros por ano.

Mas vamos considerar que a empresa não obtenha a margem desejada nos seus carros chamados “de entrada”, no caso Onix e Prisma. Mas e o restante da linha? A marca opera em outras categorias, com carros médios e grandes, onde, como se sabe, a margem de lucro é bem maior.

Além de Onix e Prisma, a GM tem mais quatro carros no ranking que são campeões de venda. Muitos deles, vendendo mais do que várias marcas que possuem uma linha completa.

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Se fosse uma marca, O Onix sozinho seria a sexta mais vendida, atrás apenas de Volkswagen, Fiat, Ford e Renault, além da própria GM. O Prisma seria a 12ª “marca” do País, a S-10 seria a 13ª, a Tracker a 14ª e a Spin a 15ª, todas na frente de empresas que mantêm grande operação no Brasil e portfólios completos de produtos, como Peugeot, Citroën, Mitsubishi, Mercedes-Benz, BMW, Land Rover, Audi, Volvo e pelo menos mais uma dezena de montadoras e importadoras.

A picape S-10 vendeu 31,5 mil unidades no ano passado, mais do que toda a operação da Peugeot ou da Citroën, e mais do que Audi, Chery, Volvo e Land Rover somadas. A Spin vendeu 25, 2 mil, mais do que todos os modelos da Kia e a BMW somados.

Juntos, Cobalt e Cruze venderam 40 mil carros, mais do que a soma de todos os carros da JAC, Audi, Caoa Chery, Volvo, Land Rover e Suzuki.

E nenhuma dessas empresas está reclamando de beliscar um pedacinho de um dos maiores mercados de veículos do mundo.

* Joel Leite é jornalista, palestrante e criador da Agência AutoInforme, agência especializada no setor automotivo

Foto: Divulgação/GM