A crise econômica na Argentina já feriu de morte até as projeções da Anfavea para as exportações de veículos em 2019. Bastaram três meses de desempenho descendente para que Antonio Megale, presidente da entidade que reúne as montadoras, reconhecesse que o quadro será bem pior do que o inicialmente imaginado.

Já prevendo a continuidade das dificuldades no principal destino dos veículos brasileiros no exterior, as montadoras projetaram, no início do ano, o embarque de 590 mil automóveis e veículos comerciais em 2019, 6,8% a menos do que no ano passado. Mantida a média do primeiro trimestre, entrentanto, passarão bem longe disso.

No acumulado de janeiro a março a contração nos embarques bateu nos 42%: foram mandados para outros países 104,5 mil veículos este ano frente a 180,2 mil no primeiro trimestre de 2018. Apenas em março foram exportadas 39 mil unidades.

Megale, porém, calcula que o patamar do recuo tende a ser menor ao final do ano, já que no primeiro trimestre do ano passado o mercado argentino ainda não entrara em declínio, o que ocorreu de forma acentuada a partir do segundo semestre. “Mas o primeiro semestre de 2019 está perdido para nós”, pondera.

O quadro poderia ser ainda pior caso o setor não tivesse encontrado ambiente mais favorável em outros países, como México e Colômbia. Os embarques para o país andino, por exemplo, passaram de 3% do total de 2018 para 10% no primeiro trimestre.

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Apesar disso, dificilmente a Argentina perderá o posto de maior destino dos veículos brasileiros tão cedo. O país vizinho ainda compra cerca de seis de cada dez unidades exportadas.

As dificuldades encontradas nos negócios externos com automóveis e caminhões são vivenciadas também pelos fabricantes de máquinas agrícolas e rodoviárias. E pelo mesmo motivo:  a Argentina, importante compradora principalmente de máquinas para a agricultura.

As vendas de equipamentos para o mercado externo somaram 2.683 unidades no primeiro trimestre — 1,1 mil em março. É resultado 8,6% menor do que o registrado no primeiro trimestre do ano passado e muito aquém das projeções da Anfavea para o ano, que estimou crescimento de 2,5% sobre as 12,7 mil máquinas exportadas em 2018.

Mais uma vez, admite o presidente da entidade, as estimativas terão que ser reconsideradas. Assim como o esperado faturamento de US$ 13,9 bilhões, que já seria 3,9% menor do que o do ano passado.

A diferença até agora é brutal: com os US$ 850,8 milhões registrados em março, o setor alcançou US$ 2,4 bilhões no trimestre, 38,9% a menos na comparação anual.