O longo impasse de 20 dias entre a Renault e trabalhadores de sua fábrica de São José dos Pinhais, PR, em greve desde 21 de julho, deve chegar ao fim ainda na manhã desta terça-feira, 11. Montadora e  Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba definiram proposta conjunta que abrange uma amplo acordo coletivo de quatro anos (2020-2024).

Estão contemplados no acordo aspectos como manutenção de empregos — inclusive readmissão de 747 funcionários dispensados —, flexibilidade de jornadas, terceirização, data-base, participação em resultados, benefícios diversos e redução de custos.

O acordo foi costurado ao longo do último fim de semana e começou a ser votado, via online, ainda na tarde desta segunda-feira. A votação será encerrada às 12 horas da terça ou antes, caso atinja 80% dos votantes.

Aprovada a proposta, já na quarta-feira os mais de 7 mil trabalhadores retomarão a produção no complexo que abriga fábricas de automóveis, comerciais leves, motores e de injeção de alumínio.

Os 747 trabalhadores readmitidos são exceção. Eles permanecerão sem atividade, ainda que recebendo salários, até a conclusão de Plano de Demissão Voluntária para funcionários da área fabril que será iniciado, com a aprovação da proposta, no dia 12 e seguirá até 20 de agosto.

A todos os funcionários que aderirem ao PDV estarão garantidos, entre outros benefícios, 6 salários, independente do tempo de serviço, plano de saúde integral para titular e dependentes até 31 de junho de 2021, vale-mercado até 31 de dezembro. Os dias em greve serão descontados parceladamente.

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Dentre as muitas medidas do pacote, estão data-base com reajustes pelo INPC em 2022 e 2023, os PPR de 2020 a 2023, abono de 2020 e 2021 e lay-off inicialmente de 5 meses para os reintegrados que não aderiram ao PDV.

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Considerando a redução de volumes em decorrência da pandemia, a previsão da montadora é produzir algo como 186 mil veículos em 2020, o que acarretará em PPR da ordem de R$ 13,6 mil. Já no dia 21, os funcionários receberiam a primeira parcela do PPR de R$ 8,5 mil mais R$ 2,5 mil de abono de 2020 e 2021, se a proposta for aprovada até esta terça-feira.

Para novos produtos, a montadora poderá estabelecer tabela salarial com redução de 20% a ser aplicada a novas contratações em toda a estrutura a partir de setembro de 2022.

A Renault diz que a poposta garante “os pilares de competividade” necessários para assegurar o futuro da operação. Já Sérgio Butka, presidente do sindicato, afirmou: “Conseguimos construir uma proposta que garantisse a readmissão dos trabalhadores e um compromisso de manutenção dos empregos”.


Foto: Divulgação