Apesar da recuperação ao longo do segundo semestre, o Grupo Renault encerrou 2020 com queda de 21,3% nas vendas globais de veículos, com total de 2,95 milhões de unidades. O faturamento recuou 21,7%, atingindo € 43,5 bilhões.

Na avaliação de Luca de Meo, CEO do Grupo Renault, o ano de 2021 ainda será difícil, com incertezas associadas às crises sanitárias, assim como o abastecimento de componentes eletrônicos. “Vamos enfrentar esses desafios coletivamente, na dinâmica de recuperação que adotamos desde meados do ano passado”, declarou o executivo nesta sexta-feira, 19, ao divulgar o balanço mundial da companhia.

A Renault lembra que a escassez de componentes eletrônicos afeta toda a indústria automotiva e prevê para o segundo trimestre deste ano o pico desse problema. “Nossa estimativa mais recente, que leva em conta uma recuperação da produção no segundo semestre deste ano, aponta para um risco de perda de 100 mil veículos em 2021”, destaca a empresa em seu balanço anual.

Luca de Meo atribuiu a recuperação do segundo semestre do ano passado à aceleração bem-sucedida do plano de redução dos custos fixos e melhoria da política de preços do grupo: “Demos prioridade à lucratividade e geração de caixa, conforme anunciado em nosso plano estratégico Renaulution”.

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Como parte da primeira etapa da recuperação do grupo, a Renault detaca os resultados da segunda metade de 2020, com margem operacional de 3,5% e fluxo de caixa livre operacional positivo da divisão automotiva. Também foram alcançados 60% dos objetivos do plano de economia de 2 bilhões de euros desde o primeiro ano (contra os 30% anunciados).

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O resultado líquido no ano ficou negativo em € 8,04 bilhões (€ 660 milhões no segundo semestre), contra os € 19 milhões em 2019. O faturamento da divisão automotiva (com exceção da AVTOVAZ)  ficou em € 37,7 bilhões, recuo de 23% no mesmo comparativo. A desvalorização de algumas moedas, dentre as quais o peso argentino, o real brasileiro e a lira turca, contribuíram para uma queda mais acentuada na receita.

A Renault informa, por fim, que o Conselho de Administração vai propor, na assembleia geral dos acionistas prevista para 23 de abril de 2021, o não pagamento de dividendos referentes ao exercício de 2020.


Foto: Divulgação/Renault