AVolkswagen apresentou nesta sexta-feira, 5, sua estratégia global para esta década e que, em síntese, engloba digitalização, novos modelos de negócios, condução totalmente autônoma até 2030 e, mais rapidamente, uma aposta ainda maior na eletrificação de seus produtos.

“Estamos acelerando o ritmo. Nos próximos anos, vamos mudar a Volkswagen como nunca “, afirmou Ralf Brandstätter, CEO da Volkswagen, durante a apresentação do Plano Accelerate, para o qual já foram alocados € 16 bilhões até 2025.

Do ponto de vista financeiro, a estratégia objetiva retorno operacional em vendas de pelo menos 6% a partir de 2023, redução de 5% dos custos fixos até lá e aumento da produtividade das fábricas em 5% ao ano. Brandstätter revelou ainda que a empresa pode voltar a lucrar na  América do Norte e América do Sul ainda este ano.

São muitos os movimentos e frentes que serão trabalhados  dentro do novo plano. A montadora agora planeja que veículos elétricos respondam por mais de 70% de suas vendas na Europa, o dobro do que imaginara anteriormente, e 50% na China e nos Estados Unidos até o fim desta década.

Para isso, lançará pelo menos um novo modelo por ano da plataforma BEV. Só em 2021 serão três: o ID.4 GTX, ainda neste primeiro semestre, seguido pelo esportivo ID.5, e pelo SUV ID.6 X / Cross de sete lugares para o mercado chinês. Mas o previsto elétrico na faixa de € 20 mil,  abaixo do atual  ID.3, foi adiado em dois anos, para 2025.

A maior integração de softwares nos veículos é outra frente de aceleração que será evidenciada nos próximos anos pela empresa e que colaborará para a criação de modelos de negócios baseados em dados e novas fontes de faturamento.

“A mobilidade elétrica foi apenas o começo. A transformação real ainda está por vir. Vamos acelerar rumo ao futuro digital”, reforçou Brandstätter, referindo-se à grande ofensiva elétrica da marca determinada pelo plano Transform 2025+, revelado há cinco anos.

A integração do software ao veículo e a experiência digital do cliente passarão a ser competências centrais da Volkswagen, afirma a montadora alemã, que, com os lançamentos dos modelos da Família ID, já trabalha na constituição do ecossistema digital centrado no cliente.

Anúncio

O processo já está adiantado. A unidade de projetos ID. Digital, por exemplo, fornecerá atualizações de programas “over-the-air” a cada 12 semanas já em meados deste ano. A montadora calcula que, em dois anos, terá rodando uma frota totalmente ligada por rede de mais de 500 mil veículos e que poderá adquirir muitos dos serviços baseados em dados.

A empresa também decidiu simplificar seu portfólio de veículos, com menos versões para reduzir a complexidade produtiva e ganhar ainda mais escala. Os automóveis das próximas gerações serão fabricados com todos os recursos, mas que poderão ser acionados pelo usuário a qualquer momento mediante pagamento.

LEIA MAIS

→ Com novos XC40 híbridos, Volvo põe fim aos motores só a combustão

→ Jaguar será marca exclusivamente elétrica a partir de 2025

Diferente de outras montadoras, contudo, a Volkswagen não anunciou o fim dos motores a combustão em sua linha. A empresa se dispõe a desenvolvê-los  em busca de maior eficiência, até com ajuda da hibridização plug-in.

“Continuaremos precisando de motores a combustão por algum tempo, mas eles têm que ser tão eficientes quanto possível. A nova geração de nossos principais produtos também será equipada com autonomia elétrica de até 100 quilômetros.”

E o Trinity, um veículo a ser apresentado em 2026, reunirá todas as tecnologias que a Volkswagen pretende dispor em seus veículos no futuro. Terá condução automatizada de Nível 2+ no lançamento e Nível 4 no futuro.

“O Trinity se tornará uma espécie de máquina do tempo para nossos clientes, economizando tempo e estresse. No entanto, essa tecnologia não deve se tornar domínio exclusivo de uma elite seleta, por isso estamos trabalhando para torná-la disponível para muitas pessoas”, completou o CEO da Volkswagen.


Foto: Divulgação