A venda de veículos eletrificados em maio, incluindo híbridos e elétricos, foi destacada pelo presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, durante a apresentação esta semana do balanço do setor nos primeiros cinco meses do ano. O volume ainda é relativamente baixo considerando o avanço desse segmento em outros países, mas sinaliza um crescimento contínuo da demanda interna por produtos do gênero.

Pela primeira vez desde a chegada dos elétricos no País o volume de venda mensal ultrapassou 3 mil unidades em maio – exatas 3.102 -, com participação recorde de 1,8% no total de veículos vendidos por aqui. No ano passado, o maior volume mensal foi registrado em outubro, com 2.273 unidades, e os eletrificados responderam, na média anual, por apenas 1% do mercado de automóveis e comerciais leves.

Este ano as vendas ficaram na faixa de 1,3 mil unidades em janeiro e maio, subiram para 1,8 mil em março e chegaram a 2,7 mil em abril, batendo recorde no mês passado. Os híbridos dominam amplamente os negócios em função, principalmente, dos modelos produzidos localmente pela Toyota, o Corolla Hybrid e o Corolla Cross Hybrid, esse último lançado este ano. Dos 3.102 eletrificados comercializados no mês passado, 3.016 foram híbridos.

O setor vem debatendo o tema dos eletrificados no âmbito do programa Combustível do Futuro, criado em abril pelo CNPE, Conselho Nacional de Política Energética, que tem como princípio o uso de fontes alternativas de energia e o fortalecimento do desenvolvimento tecnológico nacional.

Nesse contexto, os biocombustíveis ganham força como um dos melhores caminhos a serem seguidos no País, com destaque justamente para o híbrido flex, que utiliza o etanol. “O Brasil tem os biocombustíveis que contribuem para a redução da emissão de CO2”, lembrou o presidente da Anfavea. “Estamos avaliando várias questões, incluindo a da infraestrutura para atender os veículos elétricos”.

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A Toyota foi pioneira no híbrido flex, mas outras montadoras já estão se movimentando para lançar modelos desse tipo no País. A Nissan, por exemplo, admite trabalhar no desenvolvimento de motorização híbrida para o Kicks nacional e o presidente da fabricante no Mercosul, Airton Cousseau, prevê que os eletrificados serão a quase totalidade dos negócios da marca no Brasil daqui a 10 anos.

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Na segunda-feira, 14, a fabricante japonesa promove, junto com o IPEN, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, cerimônia virtual, seguida de sessão de perguntas e respostas, de oficialização de um novo acordo para o desenvolvimento do uso do bioetanol para veículos movidos à Célula de Combustível. Cousseau participará do evento.

Dentre os híbridos que estão para chegar no País ainda este ano incluem-se os Jeep Renegade 4xe e Compass 4xe, que combinam um motor turbo 1.3 a gasolina com um elétrico. Os modelos, que começaram a ser vendidos nas concessionárias da marca na Europa em meados do ano passado, aceleram de 0 a 100 km/h em menos de 7,5 segundos e atingem 130 hm de velocidade máxima em modo totalmente elétrico e de 200 km/h no modo híbrido.


Foto: Divulgação/Toyota