Pesquisa conjuntural relativa ao mês de setembro publicada no site do Sindipeças reforça as dificuldades que montadoras e fornecedores vêm enfrentando em função da alta dos preços e de gargalos na produção, em especial os decorrentes da escassez de semicondutores.

Com recuo de apenas 0,8% no comparativo de setembro com agosto, o faturamento líquido nominal das autopeças, na análise da entidade, ficou estável na passagem mensal. As vendas para montadoras e para o mercado de reposição, que têm maior participação na receita do setor, mantiveram nível similar nos dois meses.

As exportações, contudo, retrocederam 2,4% e as vendas intrassetoriais caíram 12,9%. O desempenho mensal é explicado, em parte, pela sazonalidade característica do período e por fatores relacionados à escassez de insumos e matérias-primas.

“A nosso ver, o recuo mais forte das vendas intrassetoriais parece exprimir as dificuldades que as montadoras e as autopeças enfrentam para garantir o suprimento de insumos essenciais à produção” , avalia o Sindipeças. “Preços mais altos e gargalos específicos, como no caso dos semicondutores, seguem causando transtornos para o desempenho da indústria”.

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A pesquisa conjuntural indica ainda que o comparativo interanual segue prejudicado pela dinâmica recessiva de 2020 provocada pela Covid-19, que comprimiu fortemente a receita do setor. Nos nove primeiros meses do ano, a variação acumulada alcançou 73,5%, enquanto nos últimos 12 meses – melhor medida para se compreender a dinâmica atual dos fabricantes de autopeças – houve crescimento de 58,3%.

“Apesar da estabilidade na receita, o uso da capacidade instalada cresceu e atingiu 74% em setembro, contra os 72% do mês anterior. Importante ressaltar que a pandemia gerou marcante alteração no uso das instalações fabris”, reforça o Sindipeças.

A criação de postos de trabalho ficou estável em setembro com relação a agosto, mas há alta de 5,1% no acumulado do ano e de 2,4% nos últimos 12 meses.


Foto: Divulgação/Automec