Indústria

Anfavea defende fim definitivo dos incentivos às unidades SKD/CKD

Estudo da entidade revela perda de R$ 103 bilhões em compras locais de autopeças e de quase 300 mil empregos

Um dispositivo na Portaria Secex nº 420, que permite a eventual extensão do prazo das cotas de importações de veículos SKD/CKD com alíquota zero, é motivo de preocupação na Anfavea.

Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, há risco de os incentivos não serem suspensos no próximo dia 31, o que traria sérios prejuízos à indústria nacional.

“A princípio, as cotas vigoram até o dia 31 deste mês, permitindo a importação de US$ 436 milhões sem pagamento de Imposto de Importação, o equivalente a mais de 30 mil eletrificados. Somos totalmente contrários à prorrogação desse prazo”, detacou o executivo.

Estudo feito pela Anfavea e já distribuído para as montadoras aqui instaladas revela perda de R$ 103 bilhões pela economia brasileira por conta das compras não realizadas junto aos fornecedores locais de autopeças. Isso sem contar valor não arrecadado com impostos.

Além disso, há risco de perda de 69 mil empregos nas montadoras e de 227 mil nas autopeças, assim como redução de R$ 42 bilhões nas exportações.

“Nossa preocupação com essa questão leva em conta o consequente empobrecimento da base industrial brasileira. Os kits chegam prontos e isso afeta toda a cadeia antes de chegar às montadoras, do aço até estamparia e soldagem”, comentou Calvet.

Ele informou, ainda, que a proporção de trabalhadores entre uma operação tradicional de produção de veículos e uma de montagem de SKD é de cinco para um.

“Fizemos o estudo para mostrar o que pode acontecer. É uma ação de prudência diante do que pode acontecer”, explicou o presidente da Anfavea.

Atualmente, as montadoras chinesas BYD e GWM estão operando a partir da importação de autopeças do país asiático, o que também acontece com a General Motors no Nordeste.

Queda nas importações

A entidade que representa as montadoras locais acredita que haverá redução da importação de eletrificados neste ano. As compras no exterior em 2025 atingiram 498 mil veículos, alta de 37,6% sobre 2024.

“Com o início da produção local de veículos híbridos e elétricos em diversas fábricas instaladas no país, o fim dos incentivos à importação de kits para SKDqCKD e a recomposição da alíquota do Imposto de Importação, prevista para julho, nossa expectativa é que o fluxo de entrada de modelos eletrificados importados se reduza ao longo de 2026″, conclui Calvet.

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Publicado por
Alzira Rodrigues

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