Amobilidade puramente elétrica não será mais a prioridade da Honda para seus automóveis nos próximos anos. Nesta quinta-feira, 14, o CEO Yoshiro Mibe revelou que a segunda maior montadora japonesa abandonou a meta de eliminar completamente os motores a combustão até 2040.
Daqui para frente, enquanto o mercado de veículos a bateria não demonstrar demanda consistente que resulte em rentabilidade, a Honda investirá, essencialmente, em modelos híbridos.
Até 2030, serão apresentados globalmente pelo menos 15 novos veículos com a tecnologia — o primeiro já em 2027 —, enquanto cancelou três elétricos que seriam fabricados nos Estados Unidos. Com foco e escala, a montadora pretende reduzir em mais de 30% o custo da nova geração de seus sistemas híbridos frente aos disponíveis desde 2023.
Os novos híbridos terão sistema e plataforma totalmente novos. Dois protótipos foram exibidos por Mibe: o Honda Hybrid Sedan e o Acura Hybrid SUV (foto), que devem chegar ao mercado em até dois anos.

A mudança de prioridade implicará ainda na conversão de parte das linhas de produção de baterias de veículos elétricos da L-H Battery Company, joint venture da Honda com a LG Energy Solution, para a fabricação de baterias híbridas.
Quanto aos veículos elétricos, a Honda afirma que “continuará estabelecendo as bases para introduzir uma plataforma de hardware de EV altamente competitiva no futuro, para que esteja bem preparada para atender à demanda quando ela surgir”.
Prejuízo histórico em 70 anos
Mibe anunciou a reviravolta tecnólogica após expor o primeiro prejuízo da empresa desde que abriu seu capital em 1957, quase 70 anos atrás.
O déficit de US$ 2,6 bilhões no último ano-fiscal, encerrado em março, reverteu a expectativa de lucro e é creditado, em boa medida, aos esforços financeiros destinados exatamente ao desenvolvimento e produção de automóveis elétricos.
O executivo também aproveitou entrevista coletiva, realizada em Tóquio, para detalhar plano estratégico com o qual tentará retornar aos lucros e que envolve não só a revisão tecnológica, como corte de custos, reestruturação produtiva e priorização de investimentos em mercados-chave.
Nesse contexto, a operação da China perderá alguma relevância, já que a Honda, assim como outros fabricantes ocidentais, reconhece que não tem alcançado a competitividade necessária para fazer frente aos grandes fabricantes locais.
Por outro lado, reforçará sua esturutura na Índia, onde vê espaço para crescimento e produzirá veículos médios com menos de 4 metros de comprimento.

A empresa também confirmou a suspensão, por tempo indeterminado, da cadeia de produção de veículos elétricos que planejava constituir em Ontário, no Canadá, e que realocará toda a capacidade excedente de suas fábricas de automóveis em Ohio, Estados Unidos, para a produção de veículos a gasolina e híbridos.
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Em um gesto simbólico para o momento de crise, Mibe e o vice-presidente executivo Noriya Kaihara renunciarão voluntariamente a 30% de suas remunerações por três meses, enquanto outros executivos abrirão mão de 20% de seus vencimentos.
Com o novo plano, a Honda espera recuperação gradual de seu balanço. Já para o ano-fiscal de 2027, projeta lucro operacional próximo de US$ 3,1 bilhões, ainda que com perdas adicionais no segmento de veículos elétricos.
Motos ajudam o caixa
Se a divisão de automóveis contribuiu negativamente, a de motocicletas teve resultados bem mais alentadores no último ano-fiscaç. A Honda obteve lucro operacional recorde no segmento, impulsionado por vendas na Ásia e América do Sul. Em todo o mundo, negociou 22,1 milhões de motos, o maior volume da história da Honda.
Pela nova conformação de negócios, a empresa, que projeta mercado global total de 60 milhões de unidades até 2030, concederá maior relevância à operação da Índia, que vende quase 6 milhões de motocicletas por ano e cuja capacidade produtiva passará das atuais 6,25 milhões de unidades para cerca de 8 milhões até 2028.
A montadora, antecipou em comunicado, reforçará a oferta de motos para clientes que estão migrando para categorias superiores tanto na Ásia com na América Sul e Central. Para isso, novos produtos serão oferecidos, aproveitando a competitividade das operações indiana e chinesa.
Foto: Divulgação



