Em visita ao Brasil para, segundo ele, parabenizar o time da operação sul-americana, que respondeu por cerca de 20% das vendas mundiais da Stellantis em 2025 e registrou crescimento no primeiro trimestre, Antonio Filosa, CEO global, aproveitou para enfatizar sua preocupação com a competitividade da indústria regional, brasileira em particular, diante da crescente presença dos veículos chineses.

Ainda que cuidadoso com as palavras, mas com o conhecimento de quem esteve à frente da montadora na América do Sul até 2023, quando foi deslocado para a operação da América do Norte e para o comando global da marca Jeep, o executivo propôs que o governo brasileiro, estude alguma ferramenta que possa assegurar maior equidade competitiva entre a cadeia produtiva aqui instalada há décadas e as fabricantes chinesas, calcadas ainda em modelos produtivos de conteúdo local reduzido.

“Em um raio de 100 km ao redor de Betim, temos cerca de 400 empresas fornecedoras. O parque de fornecedores delas [marcas chinesas] está na China”, ilustrou Filosa, referindo-se à maior fábrica da montadora no País, que em julho completa 50 anos e que desde a década de 90 implementou o que chamou de programa de “mineirização” de fornecedores, atraindo empresas de autopeças que até então concentravam-se em São Paulo.

Filosa, contudo, evitou falar em aumento de tarifas de forma objetiva, preferiu reiteradamente utilizar a expressão “equalização do gap competitivo”.

“Não estou pedindo tarifas, mas que o governo estude esse gap competitivo, também com o auxílio da Anfavea, e ele defina um mecaninismo de equalização. Pode ser qualquer um, como maior conteúdo local, por exemplo”, disse, lembrando que os Estados Unidos impuseram tarifas aos veículos chineses de 100%, enquanto a Europa tem buscado outras fórmulas de preservar a sustentabilidade de sua indústria.

Antonio Filosa

“O gap competitivo diante das fabricantes chinesas existe aqui e no resto do mundo”, destaca o executivo, ponderando que, com a grande capacidade ociosa na China e mercados importantes se protegendo, com certeza as marcas chinesas visarão outros países, como os da América do Sul. “A sustentabilidade da cadeia de valor automotiva, constituída há muitas décadas, está em jogo.”

Contraposto com o fato de a própria Stellantis ter anunciado que produzirá veículos da Leapmotor, marca chinesa do grupo, em Goiana, PE, igualmente a partir de kits CKDs trazidos da China, Filosa disse que se trata de modelo produtivo diferente, com participação da cadeia brasileira de fornecedores.

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“Vamos crescer muito conteúdo local”, assegurou, revelando que as primeiras unidades dos modelos B10 e C10 sairão da linha de montagem em ritmo comercial somente no primeiro trimestre de 2027 — até então a informação é deu a produção começaria ainda este ano.

Nesta semana, a Stellantis revelou que montará os primeiros modelos B10 e C10 na planta pernambucana já com motorização REEV Flex, ou seja, o motor a combustão que gera energia para as baterias do motor elétrico será alimentado com gasolina e etanol em qualquer proporção.

Trata-se, portanto, de uma primeira integração de conteúdo local nos Lepmotor — originalmente dotados de motor a combustão de gasolina apenas –, já que o know-how tecnológico é da operação brasileira e o motor, propriamente, sairá das linhas de montagem daqui. “É uma tecnologia tipicamente Fiat, entre aspas, original Stellantis daqui.

Primeiro trimestre de crescimento 

O primeiro trimestre de 2026 foi de crescimento de vendas para a Stellantis nos maiores mercados da América do Sul. Considerando as entregas de automóveis e comerciais leves, a montadora negociou mais 232 mil veículos na região — 89 mil em março —, 21,2% de participação, fatia que garante a primeira colocação.

O grupo também lidera nos dois maiores mercados indiduais na região. No Brasil, o maior deles, as cinco marcas da empresa somaram 174 mil veículos no acumulado do ano, equivalentes a 29,1% do total negociado pela indústria e 0,3 ponto a mais do que no último trimestre de 2025. Na Argentina, a Stellantis vendeu 43 mil veículos no trimestre, 28,9% de participação, 0,8 ponto porcentual de crescimento sobre os últimos três meses do ano passado.


Foto: Divulgação

George Guimarães
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