A GWM deu a largada para trajetória bem mais ambiciosa em carros elétricos no mercado brasileiro. Muito mais focada em híbridos em seus primeiros três anos País, a marca começa a vender nesta quarta-feira, 24, o Ora 5, seu primeiro utilitário esportivo movido exclusivamente a bateria.

Importado da China, o novo veículo é forte candidato a liderar as vendas da GWM aqui. Não só pelo fato de ingressar na categoria de SUVs compactos, responsável pela maior fatia de vendas de utilitários esportivos, mas particularmente pelo preço de R$ 159 mil — especial para o lançamento, segundo a montadora — da versão única associado a uma atraente lista de tecnologias e itens de série disponíveis.

A marca não esconde contra, com esse preço, imagina que o Ora 5 brigará — com vantagens —para ampliar sua base de consumidores que, de janeiro a maio, compraram 28,5 mil veículos da marca, 133% a mais do que em igual período do ano passado.

Andre Leite, diretor de Marketing de Produto, elenca os elétricos BYD Dolphin e Leapmotor B10, e os modelos nacionais a combustão Volkswagen T-Cross, Chevrolet Tracker, Hyundai Creta e Honda HR-V, dentre outros.

“Não posso falar em números, mas o Ora 5 tem potencial para ser o GWM mais vendido no Brasil”, admitiu o executivo durante apresentação do modelo em evento em São Paulo. O atual líder de vendas da marca é Haval H6, SUV médio que acumula 10,2 mil licenciamentos nos primeiros cinco meses do ano, 36% do total das vendas.

O único GWM elétrico à venda no Brasil, o hatch compacto Ora 03, tem números vem mais modestos. Foram licenciadas somente 1,6 mil unidades em 2026 e perto de 12 mil desde que começou a ser vendido aqui, em 2023.

E é bem pouco provável que as vendas do 03 não sofram com a chegada do SUV elétrico. Tanto que a GWM, preventivamente, já concede bônus de R$ 20 mil para o hatch, que tem preço sugerido de R$ 169 mil, R$ R$ 10 mil a mais do que o Ora 5.

Ms um alento provável: com o desconto que reduz seu preço para R$ 149 mil, o 03 passa a desfrutar dos incentivos do governo federal previstos no Programa Move Táxi & Aplicativos, o que servirá como eventual impulso de vendas.

Potência, autonomia e tecnologias

Com 4,47 metros de comprimento e entre-eixos de 2,72 m, o Ora 5 tem motor elétrico de 204 cv e 260 Nm, alimentado por bateria LFP de 58,3 kWh. A autonomia é de 349 km, segundo o Inmetro, ou até 435 km no ciclo WLTP. Em carregadores rápidos de até 120 kW, o SUV recupera carga de 30% a 80% em apenas 20 minutos — há ainda frenagem regenerativa de energia.

A GWM aposta muito nas tecnologias embarcadas no SUV, que conta com o recurso V2L, Vehicle-to-Load, para fornecimento de energia para equipamentos elétricos externos, mais de 300 comandos de voz com inteligência artificial, navegação nativa, atualizações remotas OTA, multimídia de 14,6″, painel digital de 10,25″ e aplicativo no celular capaz de controlar climatização, travamento das portas, localização do veículo e programação de recarga.

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Os revestimentos internos estão na média dos produtos do segmento, mas merecem destaques itens como teto panorâmico, bancos dianteiros elétricos e ventilados, iluminação ambiente configurável e sistema de áudio com nove alto-falantes. No exterior, chamam a atenção os faróis Full LED e rodas de 18 polegadas.

Ja o pacote de recursos de condução semiautônoma está bem acima do que oferece a maioria dos concorrentes e inclui: frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo inteligente, assistente de permanência e centralização em faixa, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado dianteiro e traseiro e câmera 540° com visualização transparente da carroceria.

Futuro nacional?

A GWM não fala a respeito, mas, pelo perfil do novo produto e potencial de mercado do segmento, o Ora 5 não pode ser descartado do rol de veículos da marca que poderão receber o passaporte brasileiro. Até porque a montadora visa volumes bem mais expressivos de produção e vendas no Brasil em prazo nem tão distante.

A marca produz atualmente os utilitários esportivos Haval H6 e H9 e a picape Poer na fábrica de Iracemápolis, SP, que tem capacidade produtiva anual de 50 mil veículos.

GWM ORA5

Entretanto, quando da inauguração da planta em agosto de 2025, Parker Shi, presidente da GWM Internacional, revelou que a empresa teria uma segunda fábrica no País para, na soma das unidades, poder fabrica até 300 mil unidades ao ano.

Foi além e descortinou que investirá em produtos bem mais baratos do que os atuais nacionais, até para atendimento de mercados vizinhos da América do Sul. “Nosso tíquete médio atual é de R$ 200 mil, o que corresponde a 20% do mercado. Queremos participar em segmento com preço médio de R$ 150 mil e alcançar todo o mercado. Estamos estudando um veículo para isso”, declarou.

O Ora 5, portanto, viria bem nessa conta e estratégia. E feito na futura fábrica, anunciada em fevereiro pelo governo do Espírito Santo para o município de Aracruz, com capacidade anual de 200 mil veículos.

A própria GWM, porém, ainda não oficializou o projeto e o local de instalação da planta, o que, segundo fontes, deve ocorrer ainda em julho próximo.


Foto: AutoIndústria

George Guimarães
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