Ao divulgar balanço do setor automotivo nesta segunda-feira, 7, o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, destacou que os sinais mais preocupantes atualmente vêm do mercado interno.

Além do aumento da demanda por importados sete vezes acima da relativa aos nacionais – 15,6%ce 2,8% respectivamente -, o varejo vem demonstrando claros sinasis de desaceleração. “No acumulado do semestre, os negócios realizados por pessoas físicas caíram 10%”, informa Calvet.

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Isso significa que são as vendas diretas, aquelas feitas via CNPJ, que estão segurando alta de 4,8% nos emplacamentos do ano, que atingiram quase 1,2 milhão de unidades contra total de 1,14 milhão do mesmo período de 2024. A venda para locadoras têm mantido participação de 28%, com 56,3 mil unidades negociadas em junho.

Entre os dados preocupantes, Calvet também cita a média diária de vendas, que registra queda no comparativo anual após dois anos de alta. Em junho, foram licenciados 10,5 mil veículos por dia útil, recuo de 0,5% sobre maio e de 0,6% sobre o mesmo mês do ano passado.

Os juros para aquisição de veículo estão em patamar elevado, lembra o presidente da Anfavea. Com a taxa Selic a 15% ao no, os juros para pessoas físicas chegou a 27,6% em junho e 19,3% para jurídicas. A inadimplência é de 4,9% e 3,1%, respectivamente, com tendência de alta por causa do aumento da Selic.

Sobre as importações, Calvet previu que o setor vai chegar ao final do ano com a venda de mais de 200 mil unidades importadas da China, “o equivalente a uma fábrica no País”.

O executivo também comentou sobre o estoque de carros chineses, que ultrassou 111 mil unidades em junho, e sobre o estoque das montadoras e concessionárias instaladas no País, que caiu de 259 mil para 270 mil unidades de maio para junho, equivalente a 39 dias de produção.

IPI verde – carro sustentável

Por fim, o presidente da Anfavea também falou do carro sustentável, projeto que envolve IPI reduzido para modelos menos poluentes:

“Há uma previsão legal na MP do Mover do final de 2023 sobre o que chamamos de IPI Verde. É uma discussão que, portanto, já acontece há algum tempo. Hora esfria, hora aquece e mais recentemente voltou à pauta do governo federal”.

A alíquota de IPI diferenciada para carros sustentáveis, aqueles com menos emissões e que tenham produção nacional, vai vigorar até final de 2026 porque com a reforma tributária, prevista para 2027, acaba o IPI.

“Estamos buscando informações junto ao governo para ter mais detalhe sobre o andamento do projeto. Acreditamos que haja avanços nesta discussão mas ainda não há data para divulgação efetiva do carro sustentável. Estou em Brasília neste início de semana e pretendo conversar sobre o assunto com as autoridades responsáveis pelo projeto”, conclui Calvet.


Foto: Divulgação/Toyota

 

 

 

 

 

 

 

Alzira Rodrigues
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