Por Alzira Rodrigues | alzira@autoindustria.com.br

Os números recordes do agronegócio continuam favorecendo o mercado de caminhões, principalmente o segmento de pesados, e começam a refletir positivamente nas vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias. A demanda por caminhões pesados cresceu 15,6% em julho sobre junho e expressivos 87,3% nos primeiros sete meses do ano.

Foram licenciados em julho 1.662 caminhões pesados, alta de 15,6% sobre junho e de 86,6% no comparativo com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, são 17 mil emplacamentos nesse segmento, volume 87,3% superior dos primeiros sete meses de 2017, quando houve 9,1 mil emplacamentos.

Os pesados respondem atualmente por 44% das vendas totais de caminhões, que ficaram em 6,6 mil unidades em julho, expansão de 15,6% sobre as 5,7 mil de junho e de 45,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado, total de 38,6 mil este ano e 26,0 mil em 2017, elevação de 48,6%.

De acordo com balanço divulgado pela Anfavea na segunda-feira, 6, a produção de 8,8 mil caminhões em julho representou crescimento de 1,7% com relação a junho, com 8,6 mil unidades, e de 23,8% frente a julho de 2017, quando foram fabricados 7,1 mil. No acumulado de 2018, saíram das linhas de montagem total de 58,4 mil caminhões, evolução de 35,4% sobre os 43,1 mil do ano passado.

Máquinas – Assim como o mercado de caminhões, também o de máquinas agrícolas e rodoviárias começa a se beneficiar dos bons ventos no agronegócio. Apesar de as vendas em julho terem recuado 3,5% em relação a junho, respectivamente 4,8 mil e 4,9 mil unidades, houve aumento de 27,7% no comparativo com as 3,7 mil do mesmo mês de 2017.

O segmento de máquinas começou o ano com queda de 39% e agora registra alta de 2,4% no acumulado até julho – 24,6 mil unidades contra 24. A produção até julho cresceu 1,1% e as exportações, 2%. De acordo com o presidente da Anfavea, Antonio Megale, a entidade mantém projeção de alta de 7% nas vendas internas do segmento.

O vice-presidente da entidade responsável pela área, Pedro Bentancourt, atribui a retomada das vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias a várias fatores: “Temos safras espetaculares, com possível novo recorde, a rentabilidade está elevada no caso da soja, o Moderfrota está com taxas atrativas e bom desembolso”.

Ele criticou, no entanto, a falta de investimentos em infraestrutura, citando em particular a questão da conectividade. “Assim como os caminhões e os automóveis, as máquinas que estão no campo precisam de conexão. Com os investimentos que fazemos em tecnologia, poderíamos ter um negócio muito mais promissor no agro se a infraestrutura fosse mais adequada”.


Foto: Divulgação/Scania