Empresa registrou crescimento de 18% na produção de abril para maio

Por George Guimarães

Mesmo com a queda de 19,4% nos primeiros cinco meses do ano, o mercado interno de caminhões começa a esboçar um princípio de reação. É essa, pelo menos, a interpretação de Adalberto Momi, novo diretor geral da Meritor na América do Sul, principal fabricante de eixos e sistemas de drivetrain para veículos pesados na região.

A produção na fábrica da empresa em Osasco (SP) cresceu 18% de abril para maio e perto de 10% no acumulado de 2017. Maio, em particular, foi o melhor mês para a Meritor no Brasil desde abril de 2014. E Momi acrescenta que já identificou movimento de reforço de estoques por parte das montadoras, o que sugere um cenário mais favorável em algum momento dos próximos meses.

É um termômetro confiável, afinal a Meritor fornece seus eixos para todas as montadoras de caminhões, com exceção de Mercedes-benz e Scania, que produzem seus próprios, mas também são clientes para outros produtos.

“Creio que aquela bolha gerada pelos juros baratos, e que elevou o mercado interno artificialmente para mais de 150 mil unidades há alguns anos, já passou. Acho que uns 90% daquela enorme frota de veículos novos parados já foram consumidos”, calcula o executivo, que assumiu a vaga de Silvio Barros, que se aposenta em julho após mais de dezoito anos no cargo. “O crescimento daqui para frente será lento, mas consistente.”

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A própria Meritor já tem em suas planilhas a projeção de que poderá crescer 10% na América do Sul em 2017 e até 18% no ano que vem, quando a empresa acelerará, depois do lançamento de novas linhas de produtos no fim de 2017, seu plano de dobrar as vendas na reposição em dois ou três anos.

Nos primeiros cinco meses do ano, todos os negócios na região, afirma Momi, avançaram algo entre 6% a 8%. O diretor geral não revela números isolados por país, mas deixa entender que o Brasil, como maior mercado, dá o tom da média.

A Meritor faturou em todo o mundo US$ 3,2 bilhões no ano fiscal encerrado em setembro de 2016. Algo como 8% disso oriundos da operação sul-americana, que só não tem fatia mais expressiva em função exatamente do atual quadro brasileiro. Para 2017 a empresa espera superar os US$ 3,5 bilhões, a mesma variação, portanto, esperada para a operação sul-americana.

Futuro – A gigante norte-americana carrega experiência de mais de um século no universo dos eixos automotivos, em especial aqueles empregados em veículos pesados. Ainda assim a empresa sediada em Troy, Michigan, berço da indústria automotiva mundial, tem a humildade de reconhecer que o futuro reserva tantos ou até mais desafios do que os enfrentados desde sua fundação nos primórdios do século 20, quando a produção em massa ainda engatinhava.

Momi antecipa que os engenheiros da empresa se debruçam sobre diversos projetos, mas destaca especialmente aqueles que giram ao redor da eletrificação dos veículos. “Muito em breve surgirá uma revolução em eixo e que já está sendo gerada em Troy”, afirma.


Fotos: Divulgação/Meritor