Além de ser o veículo com mais unidades produzidas no Uruguai, a operação com a marca garantiu à Nordex continuar viva

Por Lael Costa

O sorriso de Gonzalo Zeballos é mais largo quando a conversa trata do retorno da produção do Bongo K2500 na Nordex, fabricante de veículos multimarcas localizada nos arredores de Montevidéu, no Uruguai. Trata-se de simpatia, claro, mas também a reação generosa do gerente de produção da companhia traduz o fim de um pesadelo. Em período de pouco mais de três anos, a crise econômica, não só do Brasil, mas de outros países do Mercosul, suspendeu operações produtivas que a empresa tinha com Renault, Dong Feng e com a própria Kia Motors.

A sorte começou a mudar no fim do ano passado, quando a marca coreana, representada pelo Grupo Gandini, decidiu retomar a produção do utilitário após dez meses parada. “Devidos aos estoques elevados, infelizmente não havia outra saída na época senão interromper a operação”, lembra José Luiz Gandini, presidente do grupo. “Agora com sinais mais positivos podemos apostar na retomada.”

A produção do Bongo recomeçou de fato no início deste ano. O plano, de acordo com diretor de operação industrial e peças da Kia Motors do Brasil, João Pessoa, é manter ao longo de 2017 o ritmo de 10 unidades por dia, podendo alcançar 2.000 veículos até o fim do ano. “Tudo depende da reação do mercado brasileiro, porque 95% do que é produzido segue para o Brasil. No auge do mercado, a Nordex chegou a montar para nós 32 unidades por dia e temos capacidade para 12 mil por ano”, conta o diretor.

 

Segundo o mais recente balanço de vendas da Fenabrave, o utilitário da Kia acumulou até o julho 837 licenciamento, crescimento de 15% sobre o mesmo período do ano passado, quando os negócio somaram 727 veículos. Na lista dos comerciais leves mais vendidos elaborada pela federação, o modelo ocupa o 14º lugar.

Anúncio

O projeto de produção da Kia no Uruguai teve início em 2006 com as tratativas do Grupo Gandini com a Coréia. O sinal verde foi aceso em 2008 com a assinatura do contrato da marca com a Nordex. Daí foram dois anos de preparação e investimento de US$ 25 milhões. Idas e vindas de coreanos ao Uruguai decidiram pelo ferramental e processos para iniciar a produção em agosto de 2010. São doze estações de trabalho, nas quais se utiliza intensa mão de obra, cerca de 100 trabalhadores, dos 200 que a Nordex emprega hoje (em 2010 o quadro de funcionários era de 320). “É diferente da Coréia, onde o processo é bem mais robotizado”, observa Pessoa.

Apesar da produção ocorrer em regime de CKD, o Bongo uruguaio possui 60% de conteúdo regional, com fornecedores instalados no Brasil, Argentina e Uruguai. “Bancos, rodas, vidros, chassi e forrações são de fornecedores desenvolvidos por nós”, conta o diretor industrial. “Basicamente da Coréia vêm o trem de força, os itens do painel e as peças estampadas, que são armadas e soldadas na Nordex”, lista o diretor industrial.

Mesmo com a interrupção da produção por dez meses, o Bongo já acumula mais de 22 mil unidades produzidas pela fábrica uruguaia. Trata-se da maior produção para um único modelo no Uruguai. Para o Zeballos, mais um motivo para sorrir. “Todos os projetos são muito bem-vindos. Aprimora a fábrica e melhora a vida dos funcionários”, resume.


Fotos: Kia Motors do Brasil/Divulgação