Principal fornecedora de eixos e sistemas para drivetrain de veículos comerciais na América do Sul, a Meritor mostra-se otimista com a retomada do mercado brasileiro de caminhões. Além de confirmar crescimento de pelo menos 20% este ano, Adalberto Momi, diretor geral da Meritor para América do Sul, estima tamvbém outros 20% de expansão em seus negócios no que vem.  Com um cenário mais favroável, pela primeira vez em sua história a empresa participará da Fenatran com estante próprio e, seguindo tendência que já identifica nas montadoras de caminhões e ônibus,  suas principais clientes, está revendo período de férias coletivas no fim do ano. “Inicialmente seriam três semanas e a ideia agora e parar uma ou no máximo duas semanas”. Na avaliação de Momi,  o fator psicológico tem papel preponderante neste momento do setor: “Notícias boas geram outras notícias boas, contaminam positivamente os negócios”.

Por Alzira Rodrigues e George Guimarães

Quando o senhor assumiu a operação da América do Sul, há apenas dois meses, estimou crescimento de 20% da Meritor este ano. Ainda está confiante nesse índice?
Os 20% já são uma realidade. Temos convicção quanto a esse crescimento e no cenário atual admitimos até a possibilidade de superá-lo um pouco. Temos pedidos encaminhados até novembro, dezembro.

O que tem garantido o desempenho positivo da empresa?
O que surpreendeu positivamente este ano foi o desempenho externo das montadoras. Todas estão ampliando exportações, a produção de pesados, ao contrário do mercado interno, registra crescimento. E isso nos favoreceu. Um ponto relevante no momento é que há uma sinalização positiva também nos negócios locais.

O senhor acredita na retomada efetiva do mercado interno?
Há indicativos claros nesse sentido. Tanto é que as montadoras de caminhões estão sinalizan com períodos menores de férias coletivas no final deste ano. Nos últimos dois anos a maioria parou por quase 30 dias. Agora estão falando em parar apenas no período das festas de Natal e da virada do ano.

A Meritor dará férias coletivas?
Tínhamos planejado três semanas. Mas já estamos revendo essa decisão. Muito provavelmente vamos parar entre uma eduas semanas no máximo.

O que mudou?
Apesar de no acumulado do ano o mercado de caminhões ainda indicar queda, a curva de vendas diárias tem sido crescente. Passou de 150 para 295 unidades/dia nos últimos meses, conforme mostrou um executivo do setor em seminário recente. Ou seja, dobrou. E tem um fator, o psicológico, que é impressionante. Notícias boas geram outras notícias boas, contaminam positivamente os negócios em geral.

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O crescimento seráconsistente a partir de agora ou ainda é cedo para afirmar?
Acreditamos que sim,  mas de maneira gradual. A nossa expectativa, inclusive,  é crescer mais 20% no próximo ano.

A indústria brasileira está preparada para reagir caso a retomada seja maior que a esperada?
Esse é o maior pergio. Ainda não temos tido problemas na área produtiva, mas temos receio de que eles venham a ocorrer cao a retomada se dê mais rapidamente. Se o crescimento do mercado for gradual, a indústria vai se ajustando aos poucos. Mas se for mais expressivo,  os fornecedores de nível 2 ou 3 terão dificuldades para reagir. Não haverá capital de giro na base para investir em aumento rápido de produção.

A Meritor está operando a plena carga?
Depois de três anos e meio com jornada reduzida, sem trabalhar três sextas-feiras por mês e com os salários reduzidos em 10%, retomamos nossa operação normal, operando de segunda a sábado na fábrica de Osasco.

Qual o quadro da empresa hoje?
Temos atualmente 980 funcionários. O quadro antes da crise foi bem maior, chegamos a ter 1.400. Mas o importante é que hoje não temos mais nenhum empregado afastado. Estão todos trabalhando.

A volta das montadoras à Fenatran é um sinal de que as coisas estão melhorando?
Com certeza é mais um dado positivo. E nós, pela primeira vez, decidimos participar da Fenatran com estande próprio. Consideramos importante estar na feira neste momento de retomada do mercado. É um espaço que permite realizar em três dias reuniões que levariam dois meses para serem encaminhadas. Vamos apresentar novidades lá e a proximidade com os clientes é ainda mais fundamental neste momento.

Qual a participação da Meritor no mercado de eixos?
Temos praticamente metade do mercado. No segmento específico de caminhões pesados chegamos a uns 60%. O restante são eixos produzidos pelas próprias montadoras, no caso Scania e Mercedes-Benz.

A Meritor também tem ampliado suas exportações?
Nós exportamos pouco para montadoras de fora. Nossos negócios externos concentram-se mais no mercado de reposição. E esse é também um segmento importante para nós. As vendas no aftermarket registram alta de 10% este ano.

E os investimentos foram revistos neste período de crise?
Mesmo com as dificuldades enfrentadas pela indústria nos últimos três anos, não deixamos de investir em produtividade e eficiência. Prova disso são os US$ 15 milhões injetados em modernização de processos produtivos na nossa fábrica em Osasco.


Foto: Divulgação/Meritor