Por Alzira Rodrigues

O debate sobre eficiência energética dos veículos, que envolve redução de consumo de combustível e menor emissão de poluentes, também abrange os caminhões, só que de forma diferente dos automóveis. Atualmente na fase Euro 5, os pesados poderão ter prazo para incorporar a tecnologia Euro 6, provavelmente na próxima década.

Mas há quem defenda que um programa de renovação de frota no caso dos caminhões seria mais eficiente no curto prazo em termos ambientais do que a adoção futura do Euro 6. É o caso do presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Philipp Schiemer: “Não sei se discutir o Euro 6 sem adotar medidas para a renovação da frota é o caminho mais adequado no momento”.

Na sua avaliação, tirar os veículos velhos de circulação, que são muito mais poluentes do que os atuais, traria benefícios mais imediatos. “É uma questão de volume. A produção de caminhões com a nova tecnologia é proporcionalmente pequena em relação ao total de caminhões poluentes ainda circulando pelas estradas brasileiras e que poderiam ser retirados das ruas”.

De acordo com estudo do Sindipeças divulgado no primeiro semestre, há hoje quase 1,9 milhão de caminhões rodando pelo País. A idade média cresceu nos últimos anos, passando de 9 anos e 5 meses em 2013 para 10 anos e 3 meses no ano passado. Considerando ser essa a idade média, fica claro que há muitos caminhões com mais de 15 ou 20 anos de uso circulando por aí.

São veículos altamente poluentes em relação aos que estão sendo produzidos hoje, todos incorporando a tecnologia Euro 5, que passou a ser obrigatória no País a partir de 1º de janeiro de 2012. Renovação de frota, inclusive, é tema bastante antigo no setor, antecedendo inclusive o próprio Inovar-Auto que já está em seu quinto ano. A questão central é que um programa do gênero envolveria a concessão de incentivos para o transportador trocar seu caminhão velho por um mais novo e nunca houve consenso sobre a origem das verbas para bancar o projeto.

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Debates à parte, é certo que novas tecnologias para os veículos novos e renovação de frota dos usados não são necessariamente medidas excludentes. Mas como diz Schiemer, é uma questão de definir o caminho mais adequado. No caso do Euro 6, nas discussões que indústria e governo travam há quase seis meses fala-se em vigência a partir de 2023. Ou seja, a indústria teria cinco anos para investir no desenvolvimento das novas tecnologias. Mas como tudo que envolve o Rota 2030, nada está definido em relação às medidas de curto, médio e longo prazo a serem adotadas no setor.

Sua divulgação seria inicialmente em agosto, depois passou para o começo de outubro e até agora nada. É aguardar para ver o que virá. Afinal, o Inovar-Auto encerra-se dia 31 de dezembro e é imprescindível que sejam definidas novas regras em termos de eficiência energética. Do contrário, é sério o risco de retrocesso frente ao inquestionável avanço que os veículos brasileiros, especialmente os automóveis, tiveram nos últimos cinco anos, o que tem contribuído inclusive para o aumento das exportações brasileiras, principalmente para países com mercado totalmente livre, como é o caso do Chile.


Foto: Divulgação/Mercedes-Benz