Por Redação

Com vendas em queda livre nos últimos seis anos, a indústria brasileira de motocicletas tem buscado na apresentação de novos produtos o combustível necessário para aumentar o fluxo de clientes nas concessionárias e reverter a curva decrescente. Daí a empolgação das fabricantes com a 14ª edição do Salão Duas Rodas, que será realizado de 14 a 19 de novembro em São Paulo.

A maior mostra do setor na América Latina destacará muito do que os consumidores já podem, ou poderão, ver em breve nos showrooms de concessionárias como linha 2018. Como ingrediente adicional para atrair visitantes, o evento acontecerá em novo local: no São Paulo Expo, moderno complexo de exposições na Zona Sul da Capital, que substituiu o veterano Pavilhão do Anhembi, palco de quase todas as grandes feiras nas últimas décadas.

Os organizadores calculam que perto de 260 mil pessoas visitarão as centenas de estandes que abrigarão cerca de quinhentos modelos de motocicletas, quadriciclos, ciclomotores, motonetas e scooters de pelo menos catorze marcas, além de enorme linha de produtos associados, como acessórios, roupas e equipamentos, e também serviços. Produtos que custam poucos reais até centenas de  milhares, caso de algumas motos superesportivas.

“O Salão Duas Rodas será realizado em um momento estratégico de retomada de mercado, será um marco para o mercado de motocicletas e inesquecível para o público visitante”, afirma Leandro Lara, diretor do evento.”O novo local aumenta a qualidade da experiência do público”, completa Odair Dedicação Junior, gerente de marketing da Honda.

São 55 mil metros quadrados que abrigarão também exposições de motos de competição, encontros de motoclubes, test-drives e a novidade da Arena Customização, espaço que reunirá as principais oficinas e as montadoras, para lançar as motos do Salão Duas Rodas.

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“Historicamente, o segundo semestre tem melhor desempenho de vendas. Além disso, outros fatores como o próprio Salão Duas Rodas, o 13º salário e a chegada do verão ajudam a fechar o ano com resultados um pouco mais satisfatórios”, afirma Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares.

Ainda assim, satisfatório para Fermanian não quer dizer necessariamente a reversão da curva já em 2017. Ao contrário, após os primeiros nove meses do ano a Abraciclo reviu para baixo suas projeções. Se antes estimava crescimento da produção da ordem de 2,5%, considera agora a fabricação de 885 mil motos, ligeiro recuo de 1% sobre o total do ano passado.

O mesmo deve acontecer nas vendas no atacado e varejo. Fermanian projeta para o primeiro caso 813 mil unidades negociadas em 2017, 5,4% a menos do que no ano passado — sua expectativa anterior era de recuo de 4%. Os negócios no varejo devem resultar em 860 mil emplacamentos, retração de 4,4% ante estimativa anterior de queda de 1,1%.

Os números deste ano não seriam tão preocupantes se não fosse a já longa sequência de quedas da indústria e do mercado. A produção superou 2,1 milhões de unidades em 2011 e já no ano seguinte ficou limitada a 1,69 milhão, recuando em 2015 para menos de 1,3 milhão até atingir 887 mil motos no ano passado.

Como as exportações historicamente têm papel reduzido nas vendas, inferior a 10% do que é fabricado, o ritmo cada vez mais lento das linhas de montagem reflete exatamente o que acontece na ponta do mercado interno.

Em 2011 foram negociadas, no atacado, 2,04 milhões de motocicletas, 400 mil a mais do que em 2012. De lá para cá, novas quedas sucessivas até bater nas 858 mil unidades do ano passado, resultado semelhante ao do já distante ano de 2003.


Fotos: Divulgação/ Salão Duas Rodas