Produzir e vender carros parece não ser mais  a principal, ou melhor, a única grande preocupação da indústria automobilística mundial. Uma boa mostra disso foi a palestra de abertura de Jim Hackett, CEO e presidente mundial da Ford, na CES 2018, feira de tecnologia realizada em Las Vegas, Estados Unidos, agora em janeiro.

“Não estou aqui para vender carros, uma coisa de que eu gosto, mas para mostrar como a tecnologia está transformando a indústria e o que estamos fazendo para ser líderes nesse processo”, esgrimiu de cara o executivo.

O evento, ao que parece, já está dentre os mais importantes do setor automotivo mundial — sim, do setor automotivo!—, mais prestigiado até mesmo do que alguns dos mais  tradicionais salões de veículos internacionais.

Em seu pronunciamento, de certa forma,  Hackett justificou tanta badalação e atenções para um encontro de empresas que inicialmente tinham muito pouco em comum com o universo das quatro rodas. Segundo ele, desde a criação da linha de montagem  e da popularização do automóvel por Henry Ford, pela primeira vez, com veículos autônomos e conectados,  a indústria tem ” a oportunidade de criar uma ruptura tecnológica nos sistemas de transporte “.

Anúncio

“O automóvel trouxe uma nova e extraordinária liberdade, impulsionando a indústria e o crescimento pessoal e econômico de várias gerações. O preço pago por essa liberdade foi a criação de um mundo onde as vias foram construídas para os carros, avançando sobre os espaços comunitários”, destacou. “E, com cada vez mais pessoas buscando os centros urbanos, o modelo atual não é mais sustentável.”

A proposta da Ford é usar as novas tecnologias para recuperar as ruas como espaço de convivência e introduzir nas cidades a era da economia e do transporte compartilhado.

“Com o poder da inteligência artificial e dos veículos autônomos, temos tecnologia capaz de recriar o sistema de transporte de superfície. Tudo, desde o estacionamento, fluxo de tráfego e entrega de mercadorias, pode ser radicalmente melhorado – reduzindo os congestionamentos e transformando as ruas em mais espaços públicos.”

O mundo torce para que Hackett esteja absolutamente certo! (George Guimarães)

 


Foto: Divulgação/Ford