Em reunião nesta quinta-feira, 22, realizada na sede da empresa em Yokorama, no Japão, o Conselho Administrativo da Nissan decidiu pela demissão do seu presidente, o executivo Carlos Ghosn, acusado de fraude financeira e preso naquele país.

A direção da Nissan também decidiu criar uma comissão especial de governança, da qual participam os diretores Masakazu Toyoda, Keiko Ihara e Jean-Baptiste Duzan, que ficará responsável por sugerir substitutos para Ghosn. O conselho também votou pela demissão de Greg Kelly do cargo de diretor representativo, que assim como Ghosn foi acusado de improbidade financeira e preso no Japão.

Nascido em Porto Velho, RO, o brasileiro Carlos Ghosn era considerado um dos principais executivos do setor automotivo mundial. Além de ter tirado a Nissan da beira da falência, em 1999, ele é presidente do conselho e CEO da Renault, presidente do conselho da Mitsubishi e comanda a Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi.

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Criada há 19 anos, a inicialmente aliança franco-japonesa foi ampliada em 2016 para incluir a também a japonesa Mitsubishi Motors.
A Renault, por enquanto, mantém Carlos Ghosn oficialmente na liderança do seu conselho, mas por ele estar temporariamente incapacitado de exercer a função elegeu Philippe Lagayette para ocupar o cargo interinamente. A fabricante francesa também nomeou Thierry Bolloré como vice-CEO.

Em nota divulgada na terça-feira, 20, a Renault informou que decidiu requisitar à Nissan que providencie “todas as informações em sua posse levantadas durante a investigação interna relativa ao Sr. Ghosn”.

Os dois executivos acusados, de acordo com a legislação japonesa, vão responder a processos por sonegação fiscal e se forem considerados culpados poderão ser punidos com penas de até 10 anos de prisão e pagamento de multas.

Na terça-feira, 20, após a prisão de Ghosn, as ações da montadora japonesa Nissan fecharam em queda de 5,45% na Bolsa de Tóquio e as da Renault sofreram baixa de 8,43% em Paris.


Foto: Divulgação/Nissan