Com nova queda nas vendas decorrente não só do quadro de pandemia mas também da forte desvalorização do real, os importadores de veículos estão  reforçando junto ao governo o pleito de adoção de medidas emergenciais para socorrer o setor, que teme pela paralisação total das suas atividades no País.

A Abeifa, Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, protocolou junto à Secretaria Geral de Presidência da República, no mês passado, ofício com quatro pleitos, dentre os quais a redução da alíquota do imposto de importação, dos atuais 35% para 20%.

Também é solicitada a redução do IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados, incidente sobre os veículos importados, observando-se nesse caso o princípio da isonomia, de forma que as alíquotas aplicáveis sejam as mesmas estabelecidas para os automóveis de produção nacional.

Por conta da falta de liquidez das empresas, a Abeifa reivindica ainda que o governo viabilize, de forma rápida e acessível, linha de crédito para o capital de giro junto ao BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, tanto para os importadoras como para seus fornecedores de autopeças e suas redes de concessionárias. Por fim, a entidade reivindica a suspensão, por  no mínimo 120 dias, dos prazos de pagamentos de todos os tributos federais administrados pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil.

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João Henrique Oliveira, presidente da Abeifa, diz que o setor teme a paralisação total de suas atividades de comercialização de veículos novos e usados, de autopeças e também de prestação de serviços de pós-vendas nos próximos meses caso não vislumbre interferência imediata do governo federal.

Em abril, as 15 associadas da Abeifa emplacaram apenas 750 unidades importadas, queda de 64,1% em relação a março e de 74,6% ante o mesmo mês do ano passado (2.090 licenciamentos). Com esse resultado, o primeiro quadrimestre do ano fechou com queda de 24,2%, registrando este ano somente  7.915 emplacamentos. As filiadas com produção local também tiveram redução em suas vendas, da ordem de 72,3% no comparativo de abril destae ano com idêntico intervalo de 2019.

“Como já era esperado, com o mês completo sob impacto da pandemia e da valorização do dólar em 37% no ano, fechamos abril com quedas drásticas tanto em unidades importadas como nacionais”, comenta Oliveira. “O cenário de nosso setor, nos últimos dois meses, nos mostra que corremos sério risco de desestruturação total da rede de concessionárias”.

As 15 marcas associadas da Abeifa são responsáveis por uma rede de concessionárias com 450 pontos de atendimento em todo o País, empregando 17,5 mil funcionários. “Trata-se de um setor responsável pela complementariedade de produtos, pelo balizamento de preços de veículos automotores em relação aos demais mercados internacionais e por trazer ao País as principais tecnologias veiculares. Por esse princípio, o setor não pode desaparecer”, defende o presidente da entidade.


Foto: Divulgação/Abeifa