Já antes enfraquecido com a crise econômica que registra desaquecimento na demanda nos últimos três anos, com a chegada da pandemia do novo coronavírus, o mercado de veículos Argentino chega em abril em estado crítico, o pior de sua história, como destaca agências de notícias locais especializadas.

De acordo com os dados de emplacamentos consolidados pela Acara, associação que representa os concessionários no país, apenas 4,3 mil veículos foram negociados em abril, acentuada queda de 88,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando o mercado argentino absorveu 37,2 mil unidades. Em relação a março, o recuo nas vendas foi de 75,4%.

No acumulado dos quatro primeiros meses, as vendas alcançaram 94 mil veículos, volume 46,3% inferior ao anotado há um ano, de 176,6 mil unidades.

Segundo a associação, o resultado apresentado em abril revela as vendas realizada antes das medidas de distanciamento social adotadas na Argentina, pois em parte do mês passado praticamente não ocorrerão transações comerciais na rede de concessionárias.

Medidas de emergência

Ricardo Salomé, presidente da Acara, diz que encaminha propostas para atravessar a crise considerada sem precedentes na história, o que inclui a reabertura da rede, bem como redução da carga tributária como medida de emergência nos próximos 90 dias para que a situação não se torne insustentável. Para o dirigente, se nada for feito, “as concessionárias não poderão honrar com as despesas, nem mesmo com salários. As medidas tomadas até o momento não foram suficientes para a subsistência do setor.”

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A associação estima mais um trimestre de muita dificuldade. “Hoje estamos no pior cenário”, considera em nota Rubem Beato, secretário geral da Acara. “Viemos de três anos de declínios, saindo de 900 mil veículos para 460 mil unidades, com a estimativa de que em 2020 dificilmente registraremos 200 mil unidades, enquanto nossas estruturas estão prontas para vender 750 mil.”

No mês passado, as cinco marcas no topo do ranking responderam por quase 65% das vendas de veículos na Argentina. A Volkswagen liderou com 679 emplacamentos, o que representou 16,4% do mercado, seguida pela Renault (13,9%), Toyota (11,9%), Fiat (11,8%) e Chevrolet (10,5%).

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